sexta-feira, 13 de maio de 2016

O MACHADO

Fragmento do mais antigo machado conhecido do mundo (Foto: STR / AFP Photo)
11/05/2016
Machado encontrado na Austrália tem quase 50 mil anos, diz estudo

Um fragmento de lâmina de rocha encontrado na Austrália pode ser o machado mais antigo do mundo, com cerca de 50 mil anos, logo após a chegada do ser humano ao continente, revelaram especialistas nesta quarta-feira (11).

O fragmento, do tamanho de uma unha de polegar, foi encontrado no oeste da Austrália, na região de Kimberley, uma área pouco habitada do país.

A ferramenta revela que os primeiros habitantes do continente tinham uma tecnologia inovadora e inventiva. "Este é, sem dúvida, o machado mais antigo do mundo", disse Peter Hiscock, acadêmico da Universidade de Sydney.

A peça, encontrada na década de 90, teve sua importância reconhecida apenas recentemente, graças às novas tecnologias.

"É um fragmento relativamente pequeno, não tem mais que um centímetro", explicou Hiscock, que utilizou um microscópio digital para analisar a rocha e determinar que foi talhada a mão. "Provavelmente não é o machado mais antigo já produzido, seria extraordinário encontrá-lo, mas não acredito que terei esta sorte", brincou Hiscock.

A ferramenta teria sido produzida há entre 46 mil e 49 mil anos, poucos milhares de anos após a chegada do homem à Austrália, há cerca de 50 mil anos.

A descoberta será publicada na revista Australian Archaeology.

A professora da Universidade Nacional da Austrália Sue O'Connor, que localizou o fragmento, destacou que "em nenhum lugar do mundo foram encontrados machados desta época", recordando que este tipo de ferramenta surgiu no Japão há 35 mil anos.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

OS CHIFRES ORNAMENTAIS

Descoberto no Canadá novo dinossauro com chifres 'ornamentais'

08/07/2015

Um novo dinossauro com inusitados chifres ornamentais foi descoberto por um grupo de pesquisadores canadenses e descrito em artigo publicado nesta quarta-feira, 08, na revista científica Plos One. O novo dinossauro, batizado de Wendiceratops pinhornensis, viveu há 79 milhões de anos e é um dos mais antigos membros conhecidos da família de grandes dinossauros com chifres que inclui o conhecido Triceratops. O animal tinha cerca de seis metros de comprimento e pesava uma tonelada.

A descrição do novo dinossauro foi feita a partir de mais de 200 ossos fósseis encontrados na Formação Oldman, no sul de Alberta, no Canadá. O animal era herbívoro e possuía uma espécie de bico semelhante aos dos papagaios. Segundo os cientistas, ele provavelmente utilizava esse bico para cortar ervas próximas ao chão, que depois eram fatiadas com suas dúzias de dentes em forma de folhas.

A cabeça do Wendiceratops era cheia de adornos, incluindo uma série de chifres retorcidos nas margens. Uma estrutura em forma de "babado" se projetava para trás da cabeça, formando uma espécie de escudo. "Esses amplos babados eram envolvidos por numerosos chifres ondulados, o nariz tinha um grande chifre vertical e é provável que ele tivesse chifres sobre os olhos também. Essas características o tornam um dos mais impactantes dinossauros de chifres já encontrados", disse o autor principal do estudo, David Evans, curador de paleontologia do Museu Real de Ontario, em Toronto (Canadá).

O nome do novo gênero, Wendiceratops, significa "rosto com chifres de Wendy", em homenagem à pesquisadora Wendy Sloboda, uma conhecida caçadora de fósseis de Alberta, no Canadá. Ela foi a responsável pela descoberta, em 2010, do sítio onde já foram encontrados diversos dinossauros, além do Wendiceratops.

De acordo com Evans, a pesquisadora descobriu centenas de fósseis importantes nos últimos 30 anos, incluindo diversas novas espécies. "Wendy Sloboda tem um sexto sentido para a descoberta de fósseis importantes. Ela é facilmente uma das melhores caçadoras de dinossauros do mundo", disse Evans.

Faro apurado


Wendy contou à reportagem que os fósseis do Wendiceratops foram encontrados em setembro do ano passado, quando a equipe de Evans fazia prospecções no sítio descoberto por ela. "Essa área é realmente repleta de fósseis. Ao encontrar alguns desses, o professor Evans imediatamente percebeu que eles eram estranhos, realmente incomuns. As escavações foram levadas adiante e mais tarde ele me enviou um e-mail pedindo permissão para batizar o novo gênero com o meu nome. Eu não esperava isso, é uma honra imensa", disse ela. A pesquisadora afirma que não sabe explicar seu conhecido "faro" para fósseis. "Eu simplesmente procuro e de fato encontro montes de coisas", declarou.

De acordo com a caçadora de fósseis, a característica mais marcante do novo dinossauro são os chifres que formam estruturas em forma de "babados". "Esse dinossauro é realmente antigo e seus chifres são completamente diferentes de tudo que já vimos antes. A melhor maneira de descrevê-los é dizer que são chifres ornamentais", afirmou Wendy.

"O Wendiceratops nos ajuda a entender os primeiros estágios da evolução da ornamentação do crânio desse grupo de dinossauros com chifres", disse Evans. Segundo ele, o osso nasal do Wendiceratops foi reconstituído a partir de espécimes fragmentários e seu formato exato é incerto. Mas para os cientistas está claro que ele era a base de um proeminente núcleo de chifre vertical sobre o nariz.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

UM ANCESTRAL DO ELEFANTE


Fóssil de ancestral do elefante é encontrado na Romênia

29/06/2015

Uma equipe de paleontólogos descobriu em uma vila do leste da Romênia vários fósseis de um ancestral do elefante, o dinotério - uma descoberta "excepcional", segundo os cientistas.

"É uma descoberta excepcional, alcançada depois de muitos anos de pesquisa na região", afirmou à AFP Laurentiu Ursachi, do museu Vasile Parvan Museu de Barlad.

Museólogos e professores da faculdade de Geologia de Iasi desenterraram uma mandíbula de 66 centímetros, nove dentes muito bem preservados (incluindo um pré-molar de 12,1 centímetros) e vários fragmentos das presas do animal, uma cintura pélvica e membros anteriores e posteriores.

"A idade dos fósseis é de sete milhões de anos, está comprovada pela presença de fluxo piroclástico vulcânico", explicou Bogdan Ratoi, pesquisador da faculdade de Iasi.

De acordo com os pesquisadores, esse dinotério ('Deinotherium bozasi'), nome que significa terrível besta, em grego, media cerca de cinco metros.

A descoberta ocorreu na vila de Gherghesti, em uma região onde nos últimos anos também foram descobertos fósseis dos ancestrais dos rinocerontes e bisões.

Escavações paleontológicas se aceleraram em meados de junho após a descoberta do primeiro fragmento do dinotério perto de uma estrada em uma colina Gherghesti.

Esta é a segunda descoberta do tipo na Romênia, onde em 1891 foi encontrado um esqueleto de dinotério que atualmente está exposto no Museu de História Natural, em Bucareste.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

AS PRIMEIRAS JÓIAS

Neandertais criaram primeiras joias da humanidade há 130 mil anos


05/04/2015

Luka Mjeda/Zagreb

Os neandertais utilizaram garras de águia para criar e se enfeitar com as primeiras joias da humanidade há 130 mil anos, dezenas de milhares de anos antes da aparição dos humanos modernos na Europa.

Este é a surpreendente descoberta da antropóloga croata Davorka Radovcic, cujo trabalho foi divulgado na prestigiada publicação científica "PLoS One", e que revela que não foi o Homo sapiens, há 100 mil anos, a primeira espécie humana a criar objetos de valor para se adornar.

"Até agora se considerava que as joias mais antigas do homem, achadas em Israel e no sul da África, datam de 100 mil anos, e agora esse limite foi revisado cerca de 20 mil a 30 mil anos", explicou à Agência Efe a jovem cientista.

"O que é mais importante é que o fenômeno se relaciona agora com os neandertais", acrescentou Radovcic, conservadora do Museu de História Natural da Croácia.

Alguns especialistas sustentavam que os neandertais não tinham habilidades simbólicas ou que poderiam ter copiado este comportamento do Homo sapiens, por isso é considerado um achado e uma amostra de cognição avançada que elaborassem objetos para se enfeitar.

Algumas marcas em garras do pigargo europeu ou águia rabalva provam que estas foram enlaçadas pelo Homo neanderthalensis e utilizadas em um colar, pulseira e um adorno corporal similar.

Trata-se de garras fósseis da grande águia achadas há 115 anos conservadas no citado museu e provêm de um dos maiores sítios arqueológicos neandertais no mundo, a caverna Husnjakovo, perto de Krapina, no norte da Croácia.

O neandertal costuma se relacionar com uma imagem animal, bestial, de pouca inteligência, mas esta recente descoberta revela que esses homens paleolíticos foram muito mais "humanos" do que acreditávamos.

"O fato de ter usado este enfeite mostra um nível de cognição abstrata, indica a possibilidade de cognição simbólica, sinalização, linguagem", explicou Radovcic.

Essa grande ave de rapina, chamada de "tapete voador" por causa da envergadura de suas asas de mais de dois metros, deve ter impressionado o homem do paleolítico e seguramente teve para ele um significado especial.

A cientista teve um primeiro indício de sua descoberta há dois anos, logo após assumir seu trabalho no museu, ao estudar a coleção de fósseis de Krapina.

"O que chamou minha atenção foi que nos fósseis de garra havia incisões antropogênicas, obra de mãos humanas", lembrou a cientista.

Em seguida, Davorka Radovcic reuniu uma equipe de especialistas e juntos estudaram todos os restos fósseis de aves achados na caverna Husnjakovo.

"Em formações que cobrem a última falange dos dedos do pigargo achamos incisões feitas pelo homem, assim como marcas de lixamento na parte de trás, o que aponta que foram usadas em algum colar ou algo similar", descreveu Radovcic.

Nessas garras de águia, oito no total, também há marcas de terem sido expostas a um ambiente ácido, como o suor do corpo humano, o que confirma adicionalmente a teoria de Radovcic.

A morfologia das garras facilita que sejam atadas em série com uma corda, sem necessidade de buracos.

"Não sabemos se as garras foram usadas exatamente para colares, por isso dizemos que foi algum tipo de joia, um adorno que usavam sobre o corpo, mas não sabemos como exatamente. Temos indícios que essas garras de ave foram atadas e eram usadas penduradas", detalhou.

As oito garras pertencem a três águias diferentes, por isso que os cientistas concluem que se tratava de uma prática estendida e não de um caso individual e casual.

Segundo pesquisas recentes, o Homo neanderthalensis teve certo grau de hibridação com o ser humano moderno, de modo que seus genes se encontram hoje em todos os povos da Eurásia.

Foram encontradas evidências de que os neandertais enterravam seus mortos, que tinham desenvolvido uma tecnologia avançada de manufatura de utensílios de pedra e inclusive existem provas indiretas de que utilizavam certo tipo de linguagem em sua comunicação.

"Agora temos um conjunto de provas a mais sobre sua complexidade em todo sentido", ressaltou Radovcic.

Os neandertais habitaram partes da Europa, Ásia Central e Oriente Médio durante 250 mil anos, mas continua sendo um mistério por que desapareceram há cerca de 40 mil anos.

Há cerca de 45 mil anos começou a colonização da Europa por parte do Homo sapiens, e uma das teorias é que os neandertais se extinguiram por causa da concorrência com os humanos modernos.

Em Krapina foi encontrado em 1899 cerca de 70 restos neandertais, o que constitui uma das jazidas mais ricas do mundo sobre essa espécie.

quinta-feira, 5 de março de 2015

CIENTISTAS CONFIRMAM DESCOBERTA DO FÓSSIL MAIS ANTIGO DO GÊNERO "HOMO"


04/03/2015

Brian Villmoare/AFP

Pesquisador exibe um pedaço de mandíbula descoberto na Etiópia, que os cientistas batizaram de LD-350-1: ancestral humano teria vivido há 2,8 milhões

Uma equipe de cientistas confirmou nesta quarta-feira (4) a descoberta de um fóssil de um hominídeo de 2,8 milhões de anos, que se torna assim o mais antigo encontrado até agora do gênero "Homo", ao qual pertence o homem atual.

Trata-se de parte da mandíbula de um hominídeo achada em 2013 na Etiópia, cuja análise em dois estudos publicados na revista "Science" aponta que a divisão do gênero "Homo" ocorreu quase meio milhão de anos antes do que se tinha concluído anteriormente.

Os pesquisadores indicam que o fóssil, que é conhecido como LD 350-1, combina os traços primitivos do "Australopithecus" com as características mais modernas do "Homo", que situariam este gênero antes no tempo.

Os pesquisadores apontam, entretanto, que ainda é cedo para chegar a tal conclusão, e que são necessários mais estudos para determinar a qual espécie pertence.

Até agora, os fósseis mais antigos descobertos do gênero "Homo", que agrupa as espécies que evoluíram no homem moderno ("Homo sapiens"), datavam de aproximadamente 2,3 ou 2,5 milhões de anos.

"Apesar de muitas buscas, os fósseis da linhagem 'Homo' de mais de 2 milhões de anos são muito raros", afirmou Brian Villmoare, da Universidade de Nevada, um dos principais cientistas envolvidos na descoberta do fóssil.

Villmoare e sua equipe estudaram a fundo a mandíbula, que conta com cinco de seus dentes intactos, e descobriram que, embora a idade e localização do fóssil o coloquem perto do "Australopithecus afarensis", sua arcada dentária coincide mais com as primeiras espécies do "Homo".

O acadêmico explicou que o período que abrange entre 2 e 3 milhões de anos é um dos que tem mais lacunas a respeito do estudo das origens do homem. "Ter uma ideia da fase mais antiga da evolução de nossa linhagem é particularmente emocionante", afirmou.

A pesquisadora do departamento de geociências da Universidade Estadual da Pensilvânia Erin DiMaggio lidera outro estudo no qual é descrita geologicamente a jazida onde foi descoberta a mandíbula e confirma a idade do fóssil.

"Temos certeza da idade do LD 350-1", afirmou Erin, acrescentando que foram utilizados diferentes sistemas de datação, como análise radiométricas das camadas de cinzas vulcânicas para determinar a idade dos sedimentos da jazida.

As rochas e fósseis vegetais que estão sendo analisados "permitem lançar luz não somente sobre uma linhagem humana, mas sobre o estabelecimento de um entorno geológico no qual viveram os primeiros 'Homo", explicou a pesquisadora.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

AS LOMBRIGAS DE RICARDO III






















Piers Mitchell/Department of Archaeology and Anthropology/University of Cambridge / Divulgação

03 de Setembro de 2013
Cientistas descobrem que rei Ricardo 3º sofria com lombrigas
Ovos de lombriga foram encontrados no solo do local onde estava o corpo do rei Ricardo


Uma análise do local onde foi encontrado o corpo do rei Ricardo 3º, que governou a Inglaterra entre 1483 e 1485, indica que o monarca sofria de ascaridíase (infecção por lombrigas). Os restos mortais foram descobertos em 2012 por uma equipe de arqueólogos da Universidade Leicester sob um estacionamento da cidade britânica de mesmo nome. Desde então, diversos exames foram feitos e revelaram, entre outros dados, como seria o rosto de Ricardo 3º. O novo estudo foi divulgado nesta terça-feira na publicação especializada The Lancet.

"Nós encontramos muitos ovos de lombrigas no solo da pélvis, onde os intestinos deveriam estar durante a vida", diz ao Terra Piers Mitchell, líder do estudo. Segundo os cientistas, em outros locais da tumba havia poucos, ou nenhum ovo do parasita, o que os fez descartar a possibilidade de contaminação externa - por lixo humano, por exemplo.

"Lombrigas podem se propagar pela contaminação fecal da comida feita por cozinheiros que não lavam suas mãos após ir ao banheiro. Pode também se espalhar pelo uso de fezes para fertilizar plantações - uma prática comum na Europa medieval", diz o pesquisador, ao explicar como um rei acabou por ter lombrigas.​

Mitchell afirma que nobres da época deveriam comer muita carne, o que fez a equipe se surpreender com a falta de espécies de outro tipo de parasita no corpo do monarca: a tênia. "Se Ricardo não tinha essas espécies de parasita, isso pode indicar que a comida estava sendo totalmente cozida, o que pode ter matado as formas intermediárias."

Agora, afirma o cientista, o estudo dos restos mortais do rei tentará entender a escoliose que o monarca tinha na coluna vertebral, famosa inclusive na cultura inglesa. "Isso é importante porque Shakespeare escreveu uma peça sobre Ricardo 3º e o retratou como um corcunda que mancava. Nossa análise nos permitirá determinar quais efeitos sua deformidade espinhal podem realmente ter tido na vida de Ricardo."

RICARDO III, O REI NO ESTACIONAMENTO


Revelado rosto de Ricardo 3º, o "rei no estacionamento"
Reconstrução facial do Rei Ricardo 3o é exibida durante coletiva de imprensa em Londres. Com queixo largo, nariz proeminente e levemente arqueado, e lábios delicados, o "rosto" do rei da Inglaterra foi revelado nesta terça-feira, um dia depois de pesquisadores confirmarem que seus restos mortais tinham sido finalmente encontrados depois de 500 anos.

05 de Fevereiro de 2013

Com queixo largo, nariz proeminente e levemente arqueado, e lábios delicados, o "rosto" do rei da Inglaterra Ricardo 3º foi revelado nesta terça-feira, um dia depois de pesquisadores confirmarem que seus restos mortais tinham sido finalmente encontrados depois de 500 anos.

Uma equipe de arqueólogos e cientistas de uma universidade anunciaram na segunda-feira que o esqueleto que tinha sido encontrado em setembro passado, debaixo de um estacionamento em Leicester, era, de fato, de Ricardo, o último rei inglês a morrer em batalha, em 1485.

Devotos de Ricardo, que fizeram campanha durante muito tempo para restaurar sua reputação, orgulhosamente revelaram na terça-feira uma reconstrução em 3D da cabeça do monarca há tanto tempo desaparecido, apresentando-a aos jornalistas como "Sua Graça Ricardo Plantageneta, Rei da Inglaterra e França, Lorde da Irlanda".

Eles disseram que o rosto parecia simpático e nobre -- não o de um homem descrito por William Shakespeare como um monstro deformado e repugnante que assassinou seus sobrinhos, os "Príncipes na Torre".

"Espero que vocês possam ver nesse rosto o que eu vejo nesse rosto, que é um homem tridimensional em todos os sentidos", disse Philippa Langley, da Sociedade Ricardo 3o, que liderou a busca de quatro anos para encontrar os restos reais.

"Não parece a face de um tirano. Se... você olhar nos olhos dele, realmente é como se ele pudesse começar a falar com você", disse Langley aos repórteres.

Uma imagem computadorizada em 3D do rosto foi criada baseando-se em um scan tirado do esqueleto de Ricardo depois que ele foi encontrado em uma cova rasa nas ruínas de um mosteiro, hoje localizadas sob o estacionamento do departamento de serviços sociais da Câmara Municipal da cidade no centro da Inglaterra. A imagem depois foi moldada em plástico.

"SEM OLHOS OBLÍQUOS E BOCAS MALVADAS"

A reconstrução é fiel a uma avaliação anatômica do crânio, e cerca de 70 por cento da superfície do rosto deve ter menos de 2mm de erro, segundo o professor de identificação craniofacial que a criou.

Nenhum retrato de Ricardo foi usado para a principal reconstrução facial, embora os trajes, a peruca e algumas características como sobrancelhas, cor dos olhos e da pele tenham se baseado em pinturas do rei morto.

O resultado final realmente mostra uma forte semelhança com alguns retratos de Ricardo -- mas sem alguns dos traços menos lisonjeiros que apareceram durante o reinado de Henrique 7o, seu conquistador na Batalha de Bosworth Field em 1485, e da dinastia Tudor que se seguiu.

Langley disse que era um rosto sem as caricaturas dos Tudor: "Sem olhos oblíquos e bocas más, sem dedos em garra por baixo".

Usando um chapéu de feltro negro, com os cabelos até os ombros, um dos quais era um pouco mais alto que o outro --de acordo com a descoberta, seu esqueleto tinha uma curvatura na coluna-- a reconstrução mostra Ricardo, que tinha 32 anos ao morrer, com feições delicadas, quase femininas.

Seu corpo deve ser sepultado novamente na Catedral de Leicester no próximo ano, enquanto a reconstrução do busto assumirá um lugar de honra no centro de visitantes que será aberto perto do local onde o corpo repousou, em uma cova irregular e pequena, por mais de cinco séculos.

"Ver esse rosto foi na verdade o momento mais importante para mim, o momento mais extraordinário", disse Langley, explicando que o projeto tinha dois objetivos: encontrar os restos mortais para garantir um enterro digno e revelar o "verdadeiro Ricardo".

"Para mim, quando isso foi revelado e eu estava olhando para o rosto dele... esse foi o maior momento. De repente, o objetivo de ver o verdadeiro Ricardo 3o, virou realidade, um sonho milagroso realmente se realizou".

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O HOSPITAL DOS CRUZADOS


Galeria de arcos com até 6 metros de altura faziam parte da arquitetura do hospital Galeria de arcos com até 6 metros de altura faziam parte da arquitetura do hospital na Cidade Velha de Jerusalém, há cerca de mil anos.
(Foto: Yoli Shwartz, courtesy of the Israel Antiquities Authority)


Hospital das Cruzadas com cerca de mil anos é descoberto em Jerusalém
Local era movimentado e abrigava até 2 mil pacientes em emergências.
Prédio ficava dividido por tipos de doenças e condições dos pacientes.


05/08/2013


Arqueólogos israelenses descobriram na Cidade Velha de Jerusalém uma estrutura de grandes dimensões que pertencia a um hospital do período das Cruzadas, há cerca de mil anos.

O local era muito movimentado e abrigava até 2 mil pacientes em situações de emergência, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira (5) pela Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI), que fez as escavações e encontrou uma galeria de arcos, de até 6 metros de altura, do período de 1099 d.C (chegada dos cruzados às muralhas de Jerusalém) até 1291 d.C.






















O edifício é de propriedade do Waqf, autoridade de bens inalienáveis islâmicos, e está situado no coração do bairro cristão da Cidade Velha de Jerusalém, em uma área conhecida como Muristan. Há cerca de dez anos, o lugar era ocupado por um movimentado mercado de frutas e verduras, mas desde então está em desuso.
Local chegava a atender até 2 mil pacientes Local chegava a atender 2 mil pacientes (Foto: Yoli
Shwartz, courtesy of the Israel Antiquities Authority)

De acordo com a pesquisa, a estrutura descoberta é apenas uma pequena parte do que foi um grande hospital, que parece abranger uma área que compreende 15 mil metros quadrados.

A arquitetura do prédio é caracterizada por vários pilares e abóbadas de mais de 6 metros de altura, o que sugere que esse foi um amplo lugar, composto por pilares, quartos e pequenas salas.

Os coordenadores da escavação, Renee Forestany e Amit Reem, também pesquisaram documentos da época para conhecer a história do centro ambulatório.

"Aprendemos sobre o hospital por documentos históricos contemporâneos, a maior parte em latim", contam. Eles ainda explicam que os textos mencionam a existência de um sofisticado hospital construído por uma ordem militar cristã chamada "Ordem de San Juan do Hospital em Jerusalém". Seus integrantes prometiam cuidar e atender peregrinos na Terra Santa, e, quando necessário, somar-se aos combatentes cruzados como "unidade de elite".

Assim como nos modernos hospitais, o edifício estava dividido em diferentes asas e departamentos, segundo a natureza das doenças e a condição dos pacientes. Os integrantes da ordem atendiam homens e mulheres de diferentes religiões e também acolhiam recém-nascidos abandonados em Israel. Os órfãos eram atendidos com grande dedicação e, quando adultos, passavam a integrar a ordem militar, segundo o comunicado.

A AAI destaca, no entanto, que os cruzados eram ignorantes em relação à medicina e à higiene, e como exemplo cita um depoimento da época relatando que um médico amputou a perna de um cavaleiro por uma pequena ferida infectada, levando o paciente à morte.

Grande parte do edifício desmoronou durante um terremoto em 1457 d.C., e suas ruínas ficaram sepultadas até o período do Império Otomano (1299-1922 d.C.). Na Idade Média, parte da estrutura foi usada como estábulo, onde foram encontrados ossos de cavalos e camelos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O FÓSSIL DO LAGARTO MEXICANO


México: fóssil de lagarto que viveu há 23 milhões de anos é encontrado
Fóssil de lagarto com resquícios de tecido mole e pele foi descoberto no México
12 de Julho de 2013

Pesquisadores mexicanos descobriram um fóssil bem preservado de uma espécie de lagarto que viveu há 23 milhões de anos. O raro fóssil foi encontrado há alguns meses em um pequeno pedaço de âmbar em Simojovel, uma área do Estado de Chiapas conhecida por seus depósitos do material. O fragmento tem menos de cinco centímetros, mas contém "um completo e articulado animal que também preserva resquícios de tecido mole e pele", segundo informou à Agência EFE o cientista Francisco Riquelme.
Saiba Mais


Apesar de ainda ser cedo para determinar a espécie do animal, exames preliminares sugerem que o lagarto pode pertencer a uma nova espécie do gênero Anolis. Esse gênero, considerado um exemplo da diversificação evolutiva, inclui centenas de diferentes espécies que ainda vivem nos trópicos. Esses animais são de fácil adaptação e conseguem viver em climas mais quentes.

O paleontólogo Gerardo Carbot estimou a datação do fóssil em 23 milhões de anos depois de examinar o pedaço translúcido de âmbar que encobre o lagarto. O achado está agora exposto no Museo del Ámbar de Chiapas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

GUARDADO NA GAVETA HÁ 100 ANOS



Ossada de 'monstro' pré-histórico é achada em gaveta de museu

24/05/2013

O paleontólogo Oliver Hampe, do Museu de História de Natural de Berlim, na Alemanha, anunciou uma nova espécie de plesiossauro depois de ter achado as ossadas do animal pré-histórico em uma gaveta, onde estava guardada sem classificação há um século. O "Gronausaurus wegneri" era uma espécie de réptil marinho que media entre até 3,5 metros de comprimento e nadava em águas costeiras e deltas de rios há cerca de 137 milhões de anos, no período do Cretáceo Inferior - por serem terrestres, os dinossauros pertencem a um grupo diferente dos plesiossauros Naturkundemuseum Berlin

Cientistas alemães divulgaram a descoberta de uma nova espécie de plesiossauro, animal pré-histórico da época dos dinossauros, cujo esqueleto estava há cem anos engavetado sem classificação.

O Museu de História de Natural de Berlim anunciou na última semana a descoberta da espécie de réptil marinho Gronausaurus wegneri, que habitava águas costeiras e deltas de rios há cerca de 137 milhões de anos, no período do Cretáceo Inferior.

O paleontólogo Oliver Hampe, responsável pela descoberta, explicou não ser comum encontrar depósitos do Cretáceo Inferior pelo mundo, na comparação com o período Jurássico ou do Cretáceo Superior.

"Por isso, [a descoberta] faz aprendermos mais sobre a evolução no período, principalmente do grupo dos Plesiossauros."

O "monstro" pré-histórico, como é chamado pelo museu, media entre 3 metros a 3,5 metros de comprimento, pequeno em relação a outros plesiossauros - que podiam chegar a ter até cerca de 20 metros de comprimento - e aos vizinhos mais famosos do período, os dinossauros - que por serem terrestres, pertencem a um grupo diferente.

Bons nadadores, o Gronausaurus wegneri não possuía braços ou pernas, sendo semelhantes ao "primo" Leptocleidus capensis, também da família de répteis aquáticos Leptocleididae.

Equipe internacional de cientistas descobriu a evidência mais antiga do elo entre primatas do Velho Mundo, que inclui hoje babuínos e macacos, e do Novo Mundo, grupo que deu origem a símios e hominídeos. O grupo liderado pela paleontóloga Nancy Stevens encontrou dois fósseis na Tanzânia, na África, que mostram que os dois grupos se separaram de seu ancestral comum no final do Oligoceno, entre 25 milhões e 30 milhões de anos atrás. A mandíbula com alguns dentes preservados (detalhe à direita) pertenceu a um "Rukwapithecus fleaglei", um hominídeo até então desconhecido (centro da ilustração), enquanto o molar foi de um "Nsungwepithecus gunnelli" (de perfil, à direita), nova espécie de um cercopitecóide (macaco com cauda), indicam as análises genéticas dos fósseis Leia mais Mauricio Antón & Patrick O'Connor/Ohio University

Fósseis em gavetas

Os ossos do plesiossauro estudado foram encontrados em escavações na região da Renânia do Norte-Vestfália, na fronteira entre a Alemanha e os Países Baixos, em 1912, junto a outros achados fósseis. Entre estes, estava o Brancasaurus brancai, descoberto pelo paleontólogo Theodor Wegner, em 1914, que também registrou nos seus escritos a existência de um segundo esqueleto não-classificado.

Guardado pelo Museu Geológico da Universidade de Münster, o fóssil do Gronausaurus wegneri só caiu nas mãos de Hampe no começo dos anos 2000, que o transferiu para o Museu de História Natural de Berlim para pesquisa.

Entre o trabalho com esse material e outros projetos paralelos, foram cerca de dez anos para confirmar que era realmente uma nova espécie'', contou.

O fato de o esqueleto pré-histórico ficar engavetado por um século não é um acontecimento isolado e é possível que outras descobertas do tipo ainda sejam feitas.

"Isso é comum, na verdade. Quando o cientista vai a campo, ele geralmente encontra mais material do que é capaz de trabalhar e cuida primeiro daquele encontrado diretamente. O restante é armazenado para avaliação futura e pode ser esquecido", segundo Hampe.

O esqueleto do Gronausaurus wegneri pertence ao Museu Geológico da Universidade de Münster e ainda não há previsão para ser exibido ao público.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

RECRIANDO O NEANDERTAL


"Eu posso criar um neandertal, só preciso de uma mãe", diz pai do Projeto Genoma
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21/01/2013

George Church, um dos pais do Projeto Genoma Humano e professor de genética de Harvard, nos Estados Unidos, afirmou que já recolheu DNA suficiente de fósseis para clonar "espécies humanas extintas", como os neandertais. "Agora, eu só preciso de uma mulher corajosa [para ser mãe da experiência]"

George Church, professor de genética da Escola de Medicina de Harvard e um dos pais do Projeto Genoma Humano, afirma que é possível criar humanos resistentes a vírus e até recriar os ancestrais do homem moderno, os neandertais. "Já recolhi DNA suficiente de fósseis para reconstruir o DNA de espécies humanas extintas. Agora, eu preciso de uma mulher corajosa", diz em entrevista a revista alemã Der Spiegel.

Church diz que acredita ser possível clonar um neandertal no futuro próximo. "Ler e escrever DNA é hoje um milhão de vezes mais rápido do que há sete, oito anos. Outra tecnologia que a 'desextinção' de um neandertal iria necessitar é a clonagem humana. Se nós podemos clonar todos os tipos de mamíferos, então é provável que consigamos clonar um homem."

O pesquisador diz que os neandertais podem nos ajudar a enfrentar dificuldades futuras e que eles poderiam até formar uma nova cultura em colônias. "Eles podem ser mais inteligentes do que nós. Quando tivermos que lidar com uma epidemia ou sair do planeta, por exemplo, é aceitável que o modo de pensar deles possa nos beneficiar."

"Se você se tornar uma monocultura, você está em grande risco de extinção. Portanto, a recriação de neandertais seria principalmente uma questão de prevenção de riscos sociais", afirma o geneticista ao dizer que eles seriam importantes para a diversidade.

Para começar, seria preciso sequenciar o genoma dos ancestrais do homem moderno, que foram extintos há 33 mil anos, o que já está quase pronto. O próximo passo seria "cortar" este genoma em cerca de 10 mil partes e sintetizá-los. Por fim, teria que introduzir este genoma sintético em uma célula-tronco humana. "Se conseguirmos reproduzir isso o suficiente para criarmos uma linhagem que se aproximaria da sequencia dos neandertais, nós poderíamos produzi-los semiautomaticamente para então introduzi-los em uma célula para criar um clone de neandertal."

As ideias de Church estão no livro: Regenesis: Como Biologia Sintética vai reinventar a natureza e nós mesmos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

NOVA ESPÉCIE


Canadá: pesquisadores descobrem nova espécie de dinossauro

09 de novembro de 2012

Recontrução artística mostra como seria a nova espécie de dinossauro descoberto no Canadá
Foto: Julius T. Csotonyi/Divulgação

Um grupo de cientistas do Canadá descobriu uma nova espécie de dinossauro com chifres. Conhecida como Xenoceratops foremostensis, a espécie foi identificada a partir de fósseis originalmente coletados em 1958. Medindo aproximadamente 6 metros de altura e pesando mais de duas toneladas, o dinossauro seria, de acordo com os pesquisadores, herbívoro e representa o mais antigo exemplar com chifres do Canadá. A pesquisa foi publicada no periódico Canadian Journal of Earth Sciences.

"Surgidos há 80 milhões de anos, os dinossauros com chifres da América do Norte passaram por uma explosão evolucionária", afirmou o autor do estudo e curador de paleontologia vertebrada no Museu de História Natural de Cleveland, Dr. Michael Ryan. "Xenoceratops nos motra que mesmo os mais antigos ceraptors (grupo de grandes dinossauros) tinham chifres gigantes na cabeça e que a ornamentação do crânio só se tornaria mais elaborada com a evolução de novas espécies", afirma.

O termo Xenoceratops significa "alien de chifre no rosto", referindo-se à incomum distribuição de chifres na cabeça do animal e à escassez de fósseis desses chifres nos registros de material encontrado. O artigo afirma também que o dinossauro possuía um bico semelhante ao de papagaio com dois longos chifres acima dos olhos.

O novo dinossauro foi descrito a partir de fragmentos do crânio de pelo menos três indivíduos que foram coletados na década de 1950, mas não foram estudados anteriormente. Eles estão armazenados no Museu Natural de Ottawa, no Canadá. A descoberta é a última de uma série de resultados encontrados pelos pesquisadores Michael Ryan e David Evans como parte do Projeto Dinossauro da região sul de Alberta, desenvolvido para preencher as falhas no conhecimento de répteis pré-históricos e estudar sua evolução.

"A descoberta de espécies antes não conhecidas ressalta a importância de ter acesso a coleções científicas", afirma Kieran Sheperd, coautor do estudo e curador de paleobiologia no Museu Natural do Canadá. "Essas coleções fornecem potencial para muitas novas descobertas", completa.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

UMA ESCRITA DA ERA DO BRONZE


Britânicos podem traduzir escrita mais antiga ainda não decifrada


24 de outubro de 2012

A escrita usada por uma sociedade perdida que viveu na Idade do Bronze, no Oriente Médio, é chamada de proto-Elamita e foi usada entre 3200 a.C e 2900 a.C
Foto: Divulgação

A luta de estudiosos para desvendar segredos de cinco mil anos guardados na escrita mais antiga do mundo ainda não decifrada pode estar chegando ao fim. Um projeto internacional de pesquisa, liderado pela Oxford University, na Inglaterra, já lança luz sobre uma sociedade perdida que viveu na Idade do Bronze, no Oriente Médio, cujos trabalhadores escravos viviam com rações mínimas de alimento, à beira de morrer de fome. "Acho que estamos finalmente a ponto de romper a barreira", disse Jacob Dahl, acadêmico do Wolfson College da Oxford University e diretor do Ancient World Research Cluster.

A escrita usada por essa civilização é chamada de proto-Elamita e foi usada entre 3200 a.C e 2900 a.C. em uma região que corresponde hoje ao sudoeste do Irã. A arma secreta de Dahl para decifrar o código é um aparelho capaz de ver a escrita com uma clareza nunca conseguida antes.

A máquina tem forma de uma abóbada e emite flashes de luz sobre objetos que contêm amostras da escrita. Os flashes fazem parte de um sistema computadorizado que usa uma combinação de 76 tipos de luzes para captar cada pequena ranhura ou sulco na superfície dos objetos. Assim, os cientistas conseguem produzir uma imagem virtual que pode ser vista de todos os ângulos possíveis. A análise está sendo feita no museu Louvre, em Paris, onde está a maior coleção de amostras desse tipo de escrita do mundo.

Esforço coletivo
Dahl e sua equipe pretendem disponibilizar as imagens pela internet. O objetivo é que o público e outros acadêmicos ajudem na decodificação dos textos. "Estamos enganados quando achamos que quebrar um código tem a ver com um gênio solitário que de repente entende o significado de uma palavra. O que funciona com mais frequência é o trabalho paciente de uma equipe e o compartilhamento de teorias. Colocar as imagens na internet deve acelerar esse processo."

Até agora, Dahl já decifrou 1.200 sinais mas disse que, depois de mais de dez anos de estudos, muito ainda se desconhece - mesmo palavras básicas como vaca ou gado. "É um território desconhecido da história da humanidade", ele disse.

Escrita adulterada

Mas por que essa escrita seria tão difícil de interpretar? Dahl acha que sabe, em parte, a resposta. Ele descobriu que os textos originais parecem conter muitos erros - e isso dificulta o trabalho de encontrar padrões consistentes.

Proto-Elamita é o nome dado a um sistema de escrita desenvolvido em uma área que hoje corresponde ao sudoeste do Irã Foi adotado por volta de 3200 a.C. e "emprestado" da Mesopotâmia vizinha. Os textos eram escritos da direita para a esquerda em placas úmidas de barro. Mais de mil placas contendo essa escrita sobreviveram o passar do tempo.

O maior grupo desses artefatos foi colecionado por arqueólogos franceses e levado para o Louvre no século 19. Outras escritas da Antiguidade - como a escrita hieroglífica, dos egípcios, e a escrita dos sumérios - já foram decifradas.

Ele diz acreditar que isso se deva à ausência de estudo e aprendizado naquela sociedade. Os estudiosos não encontraram evidências de listas de símbolos ou exercícios para que os escribas aprendessem a preservar a precisão da escrita. Isso teve consequências fatais para o sistema de escrita, que foi sendo adulterado e depois desapareceu após apenas 200 anos. "A falta de uma tradição de estudos significou que muitos erros foram cometidos e o sistema de escrita pode ter se tornado inútil", disse Dahl.

O que dificulta ainda mais a decodificação é o fato de que esse é um estilo de escrita diferente de qualquer outro daquele período. Além disso, não foram encontrados textos bilíngues - recurso que auxiliaria muito o trabalho dos pesquisadores. Segundo Dahl, a escrita proto-Elamita foi elaborada a partir de uma língua da Mesopotâmia que foi alterada.

Vida dura
As placas usadas para o registro dos símbolos da escrita revelam detalhes íntimos dos escribas: algumas trazem as marcas das unhas dos autores. Os pequenos símbolos e desenhos, gravados no barro de forma ordeira e cuidadosa, são claramente o produto de uma mente inteligente.

Embora ainda envoltos em mistério, os textos permitem que vislumbremos um pouco da realidade vivida por esse povo. Segundo Dahl, os textos incluem um sistema de numeração, o que indica que muitas das informações contidas nas placas são de natureza contábil.

A sociedade era agrícola e bastante simples. Havia uma camada de líderes, figuras poderosas de nível médio e trabalhadores - que eram tratados como se fossem "gado com nomes". Os líderes tinham nomes que refletiam seu status - o equivalente a alguém ser chamado de "Senhor Cem" para indicar o número de pessoas que estavam abaixo dele.

Dahl disse que é possível saber qual era a dieta dos trabalhadores: cevada, possivelmente triturada para formar um mingau e cerveja fraca. A quantidade de alimento que eles recebiam ficava pouco acima do limite da sobrevivência. Aqueles de status mais elevado comiam iogurte, queijo e mel. Eles também criavam cabras, carneiros e bois. "Sua expectativa de vida pode ter sido tão longa como a de hoje", disse Dahl. Ele tem esperanças de que, com apoio suficiente, os segredos dessa última grande escrita, remanescente dos primórdios da nossa civilização, poderão ser finalmente desvendados.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

UMA RÃ DE 70 MILHÕES DE ANOS


O fóssil da rã Uberabatrachus carvalhoi, espécie que habitou a região de Peirópolis (MG) há 70 milhões de anos, é apresentado à imprensa nesta segunda-feira (22), em Uberaba. O nome Uberabatrachus significa a rã de Uberaba, e carvalhoi é uma homenagem ao Dr. Ismar de Souza Carvalho, paleontólogo da UFRJ L. Adolfo/Futura Press

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O DINOSSAURO ANÃO



Paleontólogo descobre nova espécie de dinossauro anão herbívoro


03 de outubro de 2012

Desenho de Todd Marshall mostra o Pegomastax africanus, que apesar de se alimentar de plantas, tinha dentes afiados

Um paleontólogo americano identificou uma nova espécie de dinossauro anão, que apesar ter duas presas afiadas, alimentava-se somente de plantas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira no site ZooKeys da National Geographic Society. A espécie, batizada Pegomastax africanus - da qual existe apenas um espécime encontrado, na África do Sul, na década de 1960 - foi descoberta em uma coleção de fósseis da Universidade de Harvard pelo paleontólogo e professor da Universidade de Chicago Paul Sereno enquanto o cientista fazia um estudo completo sobre os heterodontossauros.

O novo dinossauro, um heterodontossauro herbívoro que viveu há 200 milhões de anos, tinha um bico curto parecido com o de um papagaio e duas presas frontais pontiagudas, além de dentes posteriores tanto na mandíbula superior quanto na inferior, utilizados para esmagar as plantas. Em seu estudo, Sereno admite que é "muito raro" um herbívoro como o Pegomastax, com dentes caninos tão afiados como os de um vampiro. Muito provavelmente, os dentes eram utilizados como defesa ou na competição com os rivais na hora do acasalamento.

O dinossauro tinha o corpo coberto por espinhos similares aos de um porco-espinho, media menos de 60 centímetros de comprimento e pesava menos que um gato. Os espinhos já foram observados em outro heterodontossauro, o Tianyulong, descoberto recentemente na China e que também é descrito no estudo.

A RAINHA MAIA


Arqueólogos descobrem túmulo de rainha maia na Guatemala


03 de outubro de 2012


A rainha, encontrada no sítio arqueológico de El Perú-Waka, foi identificada como Kalomt'e K'abel


Um grupo de arqueólogos guatemaltecos e americanos descobriu no sítio arqueológico de El Perú-Waka, no norte da Guatemala, um túmulo real com os restos de uma antiga rainha maia, informaram nesta quarta-feira fontes oficiais. O diretor do sítio, o americano David Frieldel, explicou em entrevista coletiva que a rainha foi identificada como Kalomt'e K'abel.

Friedel sustentou que "esta é a descoberta mais importante" que fez durante os seus 43 anos de trabalho como arqueólogo na Reserva da Biosfera Maia na Guatemala. Os restos estavam em "um local muito sagrado para os maias antigos dentro do templo mais importante da cidade" do sítio arqueológico, afirmou. Segundo Friedel, Kalomt'e K'abel foi esposa do rei de Wak, identificado como K'inich Bahlam II. Os restos da rainha foram transferidos para um laboratório da capital guatemalteca para pesquisas.

A antiga rainha maia aparece ao lado de seu marido retratada na Stela 34, monumento maia de 692 a.C. em exibição no museu de Cleveland (EUA). Ela também está representada em objetos encontrados em El Perú-Waka em 2006. Os restos da antiga rainha maia, que era uma guerreira, foram descobertos pela pesquisadora mexicano-americana Olivia Navarro e pela guatemalteca Griselda Pérez.

Olivia explicou à Agência Efe que a descoberta aconteceu no dia 9 de junho dentro de uma estrutura do sítio arqueológico conhecida como M13-1. As pesquisas no sítio arqueológico, que se encontra na Reserva da Biosfera Maia em Petén, foram iniciadas em 2003.

Segundo Olivia, durante a escavação foi detectado o cômodo principal do edifício denominado "la adosada", que funcionava como um centro de adoração do fogo. Debaixo de "la adosada" descobriu-se o túmulo onde estavam os restos da antiga rainha maia, com oferendas elaboradas, como vasilhas de cerâmica datadas do final do século 7 e início do século 8.

Também foi encontrada uma considerável quantidade de joias de jade e milhares de lascas e navalhas de obsidiana. "Uma das oferendas mais importantes é um pequeno copo de alabastro com tampa talhado em forma de caracol do qual emerge um indivíduo de idade avançada" e que foi a peça-chave para a identificação de Kalomt'e K'abel, destacou a arqueóloga.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

FEZES DE DINOSSAURO



Fezes de dinossauros fossilizadas levam curiosos à praia em Santos
Fósseis e réplicas fazem parte do 46º Congresso Brasileiro de Geologia.
Grãos de areia com formato de estrela também são atração.

01/10/2012

Uma exposição bastante curiosa, instalada ao ar livre, na praia do Gonzaga, em Santos, no litoral de São Paulo, tem despertado a curiosidade de milhares de moradores e turistas que visitam a região. No local estão expostos fósseis de dinossauros, raros tipos de minérios e rochas e areias de várias partes do mundo que podem ser observadas por meio de um microscópio. O que mais chama a atenção, porém, são objetos que parecem pedras mas, na verdade, são fezes de dinossauros fossilizadas há mais de 260 milhões de anos.

O museu a céu aberto faz parte do 46º Congresso Brasileiro de Geologia. Mais de 3 mil pessoas, de 21 países diferentes, estão em Santos para participar do evento. Visitando o museu a céu aberto, é possível conferir cerca de 10 estandes com amostras de rochas e minérios, maquetes, jogos lúdicos e explicações de universitários sobre a ciência. "O museu é um extensão do congresso, mas com cunho social. A pessoa começa a entender o que é o pré sal, o que é a rocha do pré-sal e, inclusive, sai do local com uma amostra de óleo do pré sal. São 10 mil frascos que foram preparados para atender toda a população", explica Fábio Braz Machado, professor da Universidade Federal de São Paulo e presidente do congresso.
Feira de dinossauros em Santos

Além de aprenderem um pouco sobre o pré-sal, pessoas de todas as idades podem ter contato com partes de seres que habitaram o planeta há milhões de anos. Os visitantes podem conferir fósseis de dinossauros que viveram há cerca de 260 milhões de anos. "As fezes fossilizadas nos fornecem informações importantes sobre o hábito alimentar, peso e todas as características fisiológicas do animal", explica Fábio Machado. Além dos fósseis, uma réplica em gesso da cabeça de um 'alossauro', um gigante carnívoro que habitou a América do Sul em outros tempos.

A estudante Luísa Marques, de 8 anos, é uma das crianças que se fascinaram observando os fósseis e os grãos de areia. "A minha areia favorita é a do Japão, que tem formato de estrelas quando vejo pelo microscópio", afirma. As amostras são exibidas por estudantes do curso de Ciências da Natureza, da Universidade de São Paulo (USP). É possível conferir amostras de areias das praias da França, Japão, Havaí e da costa brasileira, de cidades como Ubatuba, Santos e Ilhabela, no litoral paulista. "Aqui explicamos como é formada a areia e apresentamos diferentes tipos, como a branca, a polida e a fosca, entre outras", conta a estudante Carolina Harumi.

Para o organizador do evento, Fábio Braz Machado, a mostra é uma oportunidade para todos aprenderem mais sobre geologia. "É uma atividade muito importante para nós. O evento aproxima a população da geologia, hoje tão presente no nosso dia a dia. Não só pela valorização do petróleo, mas por causa dos minerais e também do meio ambiente. Nosso principal intuito é a educação ambiental. Precisamos mudar e valorizar esse conceito", relata o professor.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A CERÂMICA MAIS ANTIGA DO MUNDO


Pesquisadores encontram cerâmica mais antiga do mundo na China

29 de junho de 2012 • 09h49

Cerâmica encontrada é a mais antiga do mundo
Foto: AP

Cientistas encontraram fragmentos de cerâmica com cerca de 20 mil anos no sul da China, o que leva pesquisadores a concluírem que o material é o mais antigo do mundo. Segundo o jornal britânico The Guardian, a data mostra que a cerâmica já era usada por tribos de caçadores-coletores 10 mil anos antes de surgir a agricultura.

A pesquisa, feita por cientistas americanos e chineses, questiona o surgimento da cerâmica durante a última Era do Gelo, que pode trazer novas explicações para a criação deste material, disse Gideon Shelach, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel. "O foco da pesquisa precisa mudar", afirma.

"Estamos muito empolgados com o que encontramos. O papel é o resultado dos esforços feitor por gerações de estudantes", disse a professora de arqueologia e museologia na Universidade de Pequim, Wu Xiaohong. "Agora podemos explorar por que existia cerâmica naquele determinado período, quais as utilidades dos vasos, e que papel eles tinham na sobrevivência dos seres humanos", explica.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

UM IDIOMA DESCONHECIDO NA ARGILA


Arqueólogos descobrem inscrições de idioma desconhecido

11 de maio de 2012

Tábua de argila descoberta tem 2,8 mil anos
Foto: EFE

Lishpisibe, Bisinume e Sasime são alguns dos exóticos nomes de mulheres encontrados em uma tábua de argila gravada durante o Império Assírio, há 2,8 mil anos, e que permitiram conhecer uma língua desconhecida até o momento.

"Sabemos que são nomes de mulheres porque cada um é antecedido pelo símbolo assírio cuneiforme que indica um nome feminino", explicou à agância EFE John MacGinnis, membro da equipe de arqueólogos responsáveis pelo achado e que publicou o resultado de suas pesquisas no último número do Journal of Near Eastern Studies.

MacGinnis, professor da Universidade de Cambridge (Inglaterra), relatou em conversa telefônica que a tábua, escavada na jazida de Ziyaret Tepe, no sudeste da Turquia, foi descoberta em 2009 e apresenta uma inscrição no assírio habitual no império.

Mas seu conteúdo é uma surpresa: a lista abrange 60 nomes relacionados com o registro do palácio de Tushan, residência de um governador do Império Assírio no século VIII a.C., e 45 deles têm uma origem diferente de qualquer língua registrada pelos arqueólogos.

Pela morfologia dos nomes é óbvio, acrescentou, que não correspondem ao assírio nem ao aramaico nem a nenhuma outra linguagem falada no Império Assírio do qual se tenha notícia. MacGinnis indicou que a lista se refere a um grupo de mulheres oriundas de uma região afastada e transferidas ao império, possivelmente à força, como era frequente naquela época.

"Poderiam proceder dos Montes Zagros no Irã", arriscou o professor, já que em outros documentos assírios há uma menção a um idioma chamado "mejranio", que teria sido falado naquela região, então sob domínio assírio, mas do qual não se sabe nada mais.

"Alguns dos nomes lidos são Lishpisibe, Bisinume, Sasime, Anamkuri, Alaqitapi, Rigahe", explicou MacGinnis, que reconhece não ter pistas sobre o tronco linguístico ao qual poderiam pertencer. "Consultei um especialista e temos certeza de que não é uma língua irania (galho à qual pertence o curdo, falado atualmente na região)", esclareceu.

Seria possível, especulou, que esteja relacionada com alguma das diversas línguas faladas atualmente no Cáucaso e que fazem parte de três troncos linguísticos completamente isolados de qualquer outro idioma. "Agora começa o trabalho dos linguistas modernos que conhecem os idiomas caucásicos e que talvez possam achar alguma relação", disse o especialista.

Algumas tábuas em assírio são procedentes da antiga cidade escavada na jazida, mas a descoberta em 2009 é a única achada até agora no palácio, embora MacGinnis acredite que o edifício possa abrigar outras peças. O que não é possível saber ainda é se poderá encontrá-las: parte da jazida ficará submersa quando estiver completa a represa de Ilisu, no rio Tigre, um projeto hidráulico que está há anos em construção e que inundará uma vasta parte do vale fluvial.

"Estamos trabalhando contra o tempo porque nos restam apenas duas temporadas: o governo turco nos confirmou que podemos continuar trabalhando este ano e no ano que vem, mas depois já não renovarão a permissão", lamentou o professor.

A construção da represa, que inundará também o famoso povoado histórico de Hasankeyf e outras jazidas, foi atrasada em parte devido aos protestos internacionais, mas MacGinnis acredita que o governo turco está decidido a completá-la em breve, por isso que quer pôr fim aos trabalhos arqueológicos na região. A tábua está conservada no museu de Diyarbakir, capital da província turca à qual pertence Ziyaret Tepe.

A PINTURA MAIS ANTIGA

Foto: HTO/Divulgação

Arte rupestre de caverna francesa é a mais antiga descoberta

08 de maio de 2012

Curvas suaves e detalhes finos das pinturas na caverna Chauvet são tão avançadas que acadêmicos as datavam entre 12 mil e 17 mil anos

Especialistas discutem há tempos se os sofisticados desenhos de animais de uma famosa caverna francesa são, de fato, os mais antigos do tipo no mundo e um estudo publicado na segunda-feira sugeriu que sim. As curvas suaves e os detalhes finos das pinturas de ursos, rinocerontes e cavalos da caverna Chauvet, na pitoresca região de Ardeche, no sul da França, são tão avançadas que alguns acadêmicos as datavam entre 12 mil e 17 mil anos atrás.

Isto as situaria como relíquias da cultura Magdaleniana, na qual os ancestrais humanos usaram ferramentas de pedra e ossos para criar uma arte impressionantemente avançada. Anteriormente, os cientistas demonstraram, através de datação por radiocarbono de amostras de arte na pedra, carvão vegetal e ossos de animais encontrados na caverna Chauvet que os desenhos eram mais antigos, provavelmente com antiguidade compreendida entre 30 mil e 32 mil anos.

Agora, segundo estudo publicado no periódico americano Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), cientistas franceses acreditam ter conseguido a confirmação de que as pinturas são "as mais antigas e mais elaboradas já encontradas".

As descobertas se basearam em uma análise, denominada datação geomorfológica e cloro 36, das superfícies das rochas em torno do que se acredita ser a única entrada da caverna. A pesquisa demonstra que um despenhadeiro começou a ruir 29 mil anos atrás e voltou a sofrer desmoronamentos ao longo do tempo, selando definitivamente a entrada da caverna para os humanos cerca de 21 mil anos atrás.

Isto significa que as pinturas tiveram que ser feitas antes disso, o que sustenta a ideia de que foram criadas por pessoas da cultura Aurignaciana, que viveram entre 28 mil e 40 mil anos atrás.

"Concordando de forma notável com as datações de radiocarbono da ocupação humana e animal, este estudo confirma que as pinturas na caverna Chauvet são as mais antigas e mais elaboradas já descobertas, desafiando nosso conhecimento atual sobre a evolução cognitiva humana", destacou o estudo.

Segundo o principal autor, Benjamin Sadier, as descobertas põem fim a qualquer debate sobre quando os desenhos podem ter sido feitos com base em seu estilo. "O que nosso trabalho demonstra e outro trabalho que será publicado em breve é que o método de datação por estilo não é mais válido", explicou à AFP em entrevista por telefone.

"Ao provar que esta caverna ficou fechada para sempre 21,5 mil anos atrás, nós erradicamos completamente a hipótese de uma pintura mais recente na caverna e também confirmamos a idade da caverna, que já era conhecida através da datação de radiocarbono", acrescentou.

A caverna e suas pinturas notavelmente bem preservadas foi fechada ao acesso humano devido à queda de rochas e só recentemente redescoberta em 1994. Os cientistas que participaram do trabalho são procedentes das universidades de Savoia e Aix Marseille, bem como do Centro Nacional de Pré-história.