quinta-feira, 5 de setembro de 2013

AS LOMBRIGAS DE RICARDO III






















Piers Mitchell/Department of Archaeology and Anthropology/University of Cambridge / Divulgação

03 de Setembro de 2013
Cientistas descobrem que rei Ricardo 3º sofria com lombrigas
Ovos de lombriga foram encontrados no solo do local onde estava o corpo do rei Ricardo


Uma análise do local onde foi encontrado o corpo do rei Ricardo 3º, que governou a Inglaterra entre 1483 e 1485, indica que o monarca sofria de ascaridíase (infecção por lombrigas). Os restos mortais foram descobertos em 2012 por uma equipe de arqueólogos da Universidade Leicester sob um estacionamento da cidade britânica de mesmo nome. Desde então, diversos exames foram feitos e revelaram, entre outros dados, como seria o rosto de Ricardo 3º. O novo estudo foi divulgado nesta terça-feira na publicação especializada The Lancet.

"Nós encontramos muitos ovos de lombrigas no solo da pélvis, onde os intestinos deveriam estar durante a vida", diz ao Terra Piers Mitchell, líder do estudo. Segundo os cientistas, em outros locais da tumba havia poucos, ou nenhum ovo do parasita, o que os fez descartar a possibilidade de contaminação externa - por lixo humano, por exemplo.

"Lombrigas podem se propagar pela contaminação fecal da comida feita por cozinheiros que não lavam suas mãos após ir ao banheiro. Pode também se espalhar pelo uso de fezes para fertilizar plantações - uma prática comum na Europa medieval", diz o pesquisador, ao explicar como um rei acabou por ter lombrigas.​

Mitchell afirma que nobres da época deveriam comer muita carne, o que fez a equipe se surpreender com a falta de espécies de outro tipo de parasita no corpo do monarca: a tênia. "Se Ricardo não tinha essas espécies de parasita, isso pode indicar que a comida estava sendo totalmente cozida, o que pode ter matado as formas intermediárias."

Agora, afirma o cientista, o estudo dos restos mortais do rei tentará entender a escoliose que o monarca tinha na coluna vertebral, famosa inclusive na cultura inglesa. "Isso é importante porque Shakespeare escreveu uma peça sobre Ricardo 3º e o retratou como um corcunda que mancava. Nossa análise nos permitirá determinar quais efeitos sua deformidade espinhal podem realmente ter tido na vida de Ricardo."

RICARDO III, O REI NO ESTACIONAMENTO


Revelado rosto de Ricardo 3º, o "rei no estacionamento"
Reconstrução facial do Rei Ricardo 3o é exibida durante coletiva de imprensa em Londres. Com queixo largo, nariz proeminente e levemente arqueado, e lábios delicados, o "rosto" do rei da Inglaterra foi revelado nesta terça-feira, um dia depois de pesquisadores confirmarem que seus restos mortais tinham sido finalmente encontrados depois de 500 anos.

05 de Fevereiro de 2013

Com queixo largo, nariz proeminente e levemente arqueado, e lábios delicados, o "rosto" do rei da Inglaterra Ricardo 3º foi revelado nesta terça-feira, um dia depois de pesquisadores confirmarem que seus restos mortais tinham sido finalmente encontrados depois de 500 anos.

Uma equipe de arqueólogos e cientistas de uma universidade anunciaram na segunda-feira que o esqueleto que tinha sido encontrado em setembro passado, debaixo de um estacionamento em Leicester, era, de fato, de Ricardo, o último rei inglês a morrer em batalha, em 1485.

Devotos de Ricardo, que fizeram campanha durante muito tempo para restaurar sua reputação, orgulhosamente revelaram na terça-feira uma reconstrução em 3D da cabeça do monarca há tanto tempo desaparecido, apresentando-a aos jornalistas como "Sua Graça Ricardo Plantageneta, Rei da Inglaterra e França, Lorde da Irlanda".

Eles disseram que o rosto parecia simpático e nobre -- não o de um homem descrito por William Shakespeare como um monstro deformado e repugnante que assassinou seus sobrinhos, os "Príncipes na Torre".

"Espero que vocês possam ver nesse rosto o que eu vejo nesse rosto, que é um homem tridimensional em todos os sentidos", disse Philippa Langley, da Sociedade Ricardo 3o, que liderou a busca de quatro anos para encontrar os restos reais.

"Não parece a face de um tirano. Se... você olhar nos olhos dele, realmente é como se ele pudesse começar a falar com você", disse Langley aos repórteres.

Uma imagem computadorizada em 3D do rosto foi criada baseando-se em um scan tirado do esqueleto de Ricardo depois que ele foi encontrado em uma cova rasa nas ruínas de um mosteiro, hoje localizadas sob o estacionamento do departamento de serviços sociais da Câmara Municipal da cidade no centro da Inglaterra. A imagem depois foi moldada em plástico.

"SEM OLHOS OBLÍQUOS E BOCAS MALVADAS"

A reconstrução é fiel a uma avaliação anatômica do crânio, e cerca de 70 por cento da superfície do rosto deve ter menos de 2mm de erro, segundo o professor de identificação craniofacial que a criou.

Nenhum retrato de Ricardo foi usado para a principal reconstrução facial, embora os trajes, a peruca e algumas características como sobrancelhas, cor dos olhos e da pele tenham se baseado em pinturas do rei morto.

O resultado final realmente mostra uma forte semelhança com alguns retratos de Ricardo -- mas sem alguns dos traços menos lisonjeiros que apareceram durante o reinado de Henrique 7o, seu conquistador na Batalha de Bosworth Field em 1485, e da dinastia Tudor que se seguiu.

Langley disse que era um rosto sem as caricaturas dos Tudor: "Sem olhos oblíquos e bocas más, sem dedos em garra por baixo".

Usando um chapéu de feltro negro, com os cabelos até os ombros, um dos quais era um pouco mais alto que o outro --de acordo com a descoberta, seu esqueleto tinha uma curvatura na coluna-- a reconstrução mostra Ricardo, que tinha 32 anos ao morrer, com feições delicadas, quase femininas.

Seu corpo deve ser sepultado novamente na Catedral de Leicester no próximo ano, enquanto a reconstrução do busto assumirá um lugar de honra no centro de visitantes que será aberto perto do local onde o corpo repousou, em uma cova irregular e pequena, por mais de cinco séculos.

"Ver esse rosto foi na verdade o momento mais importante para mim, o momento mais extraordinário", disse Langley, explicando que o projeto tinha dois objetivos: encontrar os restos mortais para garantir um enterro digno e revelar o "verdadeiro Ricardo".

"Para mim, quando isso foi revelado e eu estava olhando para o rosto dele... esse foi o maior momento. De repente, o objetivo de ver o verdadeiro Ricardo 3o, virou realidade, um sonho milagroso realmente se realizou".

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O HOSPITAL DOS CRUZADOS


Galeria de arcos com até 6 metros de altura faziam parte da arquitetura do hospital Galeria de arcos com até 6 metros de altura faziam parte da arquitetura do hospital na Cidade Velha de Jerusalém, há cerca de mil anos.
(Foto: Yoli Shwartz, courtesy of the Israel Antiquities Authority)


Hospital das Cruzadas com cerca de mil anos é descoberto em Jerusalém
Local era movimentado e abrigava até 2 mil pacientes em emergências.
Prédio ficava dividido por tipos de doenças e condições dos pacientes.


05/08/2013


Arqueólogos israelenses descobriram na Cidade Velha de Jerusalém uma estrutura de grandes dimensões que pertencia a um hospital do período das Cruzadas, há cerca de mil anos.

O local era muito movimentado e abrigava até 2 mil pacientes em situações de emergência, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira (5) pela Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI), que fez as escavações e encontrou uma galeria de arcos, de até 6 metros de altura, do período de 1099 d.C (chegada dos cruzados às muralhas de Jerusalém) até 1291 d.C.






















O edifício é de propriedade do Waqf, autoridade de bens inalienáveis islâmicos, e está situado no coração do bairro cristão da Cidade Velha de Jerusalém, em uma área conhecida como Muristan. Há cerca de dez anos, o lugar era ocupado por um movimentado mercado de frutas e verduras, mas desde então está em desuso.
Local chegava a atender até 2 mil pacientes Local chegava a atender 2 mil pacientes (Foto: Yoli
Shwartz, courtesy of the Israel Antiquities Authority)

De acordo com a pesquisa, a estrutura descoberta é apenas uma pequena parte do que foi um grande hospital, que parece abranger uma área que compreende 15 mil metros quadrados.

A arquitetura do prédio é caracterizada por vários pilares e abóbadas de mais de 6 metros de altura, o que sugere que esse foi um amplo lugar, composto por pilares, quartos e pequenas salas.

Os coordenadores da escavação, Renee Forestany e Amit Reem, também pesquisaram documentos da época para conhecer a história do centro ambulatório.

"Aprendemos sobre o hospital por documentos históricos contemporâneos, a maior parte em latim", contam. Eles ainda explicam que os textos mencionam a existência de um sofisticado hospital construído por uma ordem militar cristã chamada "Ordem de San Juan do Hospital em Jerusalém". Seus integrantes prometiam cuidar e atender peregrinos na Terra Santa, e, quando necessário, somar-se aos combatentes cruzados como "unidade de elite".

Assim como nos modernos hospitais, o edifício estava dividido em diferentes asas e departamentos, segundo a natureza das doenças e a condição dos pacientes. Os integrantes da ordem atendiam homens e mulheres de diferentes religiões e também acolhiam recém-nascidos abandonados em Israel. Os órfãos eram atendidos com grande dedicação e, quando adultos, passavam a integrar a ordem militar, segundo o comunicado.

A AAI destaca, no entanto, que os cruzados eram ignorantes em relação à medicina e à higiene, e como exemplo cita um depoimento da época relatando que um médico amputou a perna de um cavaleiro por uma pequena ferida infectada, levando o paciente à morte.

Grande parte do edifício desmoronou durante um terremoto em 1457 d.C., e suas ruínas ficaram sepultadas até o período do Império Otomano (1299-1922 d.C.). Na Idade Média, parte da estrutura foi usada como estábulo, onde foram encontrados ossos de cavalos e camelos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O FÓSSIL DO LAGARTO MEXICANO


México: fóssil de lagarto que viveu há 23 milhões de anos é encontrado
Fóssil de lagarto com resquícios de tecido mole e pele foi descoberto no México
12 de Julho de 2013

Pesquisadores mexicanos descobriram um fóssil bem preservado de uma espécie de lagarto que viveu há 23 milhões de anos. O raro fóssil foi encontrado há alguns meses em um pequeno pedaço de âmbar em Simojovel, uma área do Estado de Chiapas conhecida por seus depósitos do material. O fragmento tem menos de cinco centímetros, mas contém "um completo e articulado animal que também preserva resquícios de tecido mole e pele", segundo informou à Agência EFE o cientista Francisco Riquelme.
Saiba Mais


Apesar de ainda ser cedo para determinar a espécie do animal, exames preliminares sugerem que o lagarto pode pertencer a uma nova espécie do gênero Anolis. Esse gênero, considerado um exemplo da diversificação evolutiva, inclui centenas de diferentes espécies que ainda vivem nos trópicos. Esses animais são de fácil adaptação e conseguem viver em climas mais quentes.

O paleontólogo Gerardo Carbot estimou a datação do fóssil em 23 milhões de anos depois de examinar o pedaço translúcido de âmbar que encobre o lagarto. O achado está agora exposto no Museo del Ámbar de Chiapas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

GUARDADO NA GAVETA HÁ 100 ANOS



Ossada de 'monstro' pré-histórico é achada em gaveta de museu

24/05/2013

O paleontólogo Oliver Hampe, do Museu de História de Natural de Berlim, na Alemanha, anunciou uma nova espécie de plesiossauro depois de ter achado as ossadas do animal pré-histórico em uma gaveta, onde estava guardada sem classificação há um século. O "Gronausaurus wegneri" era uma espécie de réptil marinho que media entre até 3,5 metros de comprimento e nadava em águas costeiras e deltas de rios há cerca de 137 milhões de anos, no período do Cretáceo Inferior - por serem terrestres, os dinossauros pertencem a um grupo diferente dos plesiossauros Naturkundemuseum Berlin

Cientistas alemães divulgaram a descoberta de uma nova espécie de plesiossauro, animal pré-histórico da época dos dinossauros, cujo esqueleto estava há cem anos engavetado sem classificação.

O Museu de História de Natural de Berlim anunciou na última semana a descoberta da espécie de réptil marinho Gronausaurus wegneri, que habitava águas costeiras e deltas de rios há cerca de 137 milhões de anos, no período do Cretáceo Inferior.

O paleontólogo Oliver Hampe, responsável pela descoberta, explicou não ser comum encontrar depósitos do Cretáceo Inferior pelo mundo, na comparação com o período Jurássico ou do Cretáceo Superior.

"Por isso, [a descoberta] faz aprendermos mais sobre a evolução no período, principalmente do grupo dos Plesiossauros."

O "monstro" pré-histórico, como é chamado pelo museu, media entre 3 metros a 3,5 metros de comprimento, pequeno em relação a outros plesiossauros - que podiam chegar a ter até cerca de 20 metros de comprimento - e aos vizinhos mais famosos do período, os dinossauros - que por serem terrestres, pertencem a um grupo diferente.

Bons nadadores, o Gronausaurus wegneri não possuía braços ou pernas, sendo semelhantes ao "primo" Leptocleidus capensis, também da família de répteis aquáticos Leptocleididae.

Equipe internacional de cientistas descobriu a evidência mais antiga do elo entre primatas do Velho Mundo, que inclui hoje babuínos e macacos, e do Novo Mundo, grupo que deu origem a símios e hominídeos. O grupo liderado pela paleontóloga Nancy Stevens encontrou dois fósseis na Tanzânia, na África, que mostram que os dois grupos se separaram de seu ancestral comum no final do Oligoceno, entre 25 milhões e 30 milhões de anos atrás. A mandíbula com alguns dentes preservados (detalhe à direita) pertenceu a um "Rukwapithecus fleaglei", um hominídeo até então desconhecido (centro da ilustração), enquanto o molar foi de um "Nsungwepithecus gunnelli" (de perfil, à direita), nova espécie de um cercopitecóide (macaco com cauda), indicam as análises genéticas dos fósseis Leia mais Mauricio Antón & Patrick O'Connor/Ohio University

Fósseis em gavetas

Os ossos do plesiossauro estudado foram encontrados em escavações na região da Renânia do Norte-Vestfália, na fronteira entre a Alemanha e os Países Baixos, em 1912, junto a outros achados fósseis. Entre estes, estava o Brancasaurus brancai, descoberto pelo paleontólogo Theodor Wegner, em 1914, que também registrou nos seus escritos a existência de um segundo esqueleto não-classificado.

Guardado pelo Museu Geológico da Universidade de Münster, o fóssil do Gronausaurus wegneri só caiu nas mãos de Hampe no começo dos anos 2000, que o transferiu para o Museu de História Natural de Berlim para pesquisa.

Entre o trabalho com esse material e outros projetos paralelos, foram cerca de dez anos para confirmar que era realmente uma nova espécie'', contou.

O fato de o esqueleto pré-histórico ficar engavetado por um século não é um acontecimento isolado e é possível que outras descobertas do tipo ainda sejam feitas.

"Isso é comum, na verdade. Quando o cientista vai a campo, ele geralmente encontra mais material do que é capaz de trabalhar e cuida primeiro daquele encontrado diretamente. O restante é armazenado para avaliação futura e pode ser esquecido", segundo Hampe.

O esqueleto do Gronausaurus wegneri pertence ao Museu Geológico da Universidade de Münster e ainda não há previsão para ser exibido ao público.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

RECRIANDO O NEANDERTAL


"Eu posso criar um neandertal, só preciso de uma mãe", diz pai do Projeto Genoma
1


21/01/2013

George Church, um dos pais do Projeto Genoma Humano e professor de genética de Harvard, nos Estados Unidos, afirmou que já recolheu DNA suficiente de fósseis para clonar "espécies humanas extintas", como os neandertais. "Agora, eu só preciso de uma mulher corajosa [para ser mãe da experiência]"

George Church, professor de genética da Escola de Medicina de Harvard e um dos pais do Projeto Genoma Humano, afirma que é possível criar humanos resistentes a vírus e até recriar os ancestrais do homem moderno, os neandertais. "Já recolhi DNA suficiente de fósseis para reconstruir o DNA de espécies humanas extintas. Agora, eu preciso de uma mulher corajosa", diz em entrevista a revista alemã Der Spiegel.

Church diz que acredita ser possível clonar um neandertal no futuro próximo. "Ler e escrever DNA é hoje um milhão de vezes mais rápido do que há sete, oito anos. Outra tecnologia que a 'desextinção' de um neandertal iria necessitar é a clonagem humana. Se nós podemos clonar todos os tipos de mamíferos, então é provável que consigamos clonar um homem."

O pesquisador diz que os neandertais podem nos ajudar a enfrentar dificuldades futuras e que eles poderiam até formar uma nova cultura em colônias. "Eles podem ser mais inteligentes do que nós. Quando tivermos que lidar com uma epidemia ou sair do planeta, por exemplo, é aceitável que o modo de pensar deles possa nos beneficiar."

"Se você se tornar uma monocultura, você está em grande risco de extinção. Portanto, a recriação de neandertais seria principalmente uma questão de prevenção de riscos sociais", afirma o geneticista ao dizer que eles seriam importantes para a diversidade.

Para começar, seria preciso sequenciar o genoma dos ancestrais do homem moderno, que foram extintos há 33 mil anos, o que já está quase pronto. O próximo passo seria "cortar" este genoma em cerca de 10 mil partes e sintetizá-los. Por fim, teria que introduzir este genoma sintético em uma célula-tronco humana. "Se conseguirmos reproduzir isso o suficiente para criarmos uma linhagem que se aproximaria da sequencia dos neandertais, nós poderíamos produzi-los semiautomaticamente para então introduzi-los em uma célula para criar um clone de neandertal."

As ideias de Church estão no livro: Regenesis: Como Biologia Sintética vai reinventar a natureza e nós mesmos.