sexta-feira, 10 de julho de 2015

OS CHIFRES ORNAMENTAIS

Descoberto no Canadá novo dinossauro com chifres 'ornamentais'

08/07/2015

Um novo dinossauro com inusitados chifres ornamentais foi descoberto por um grupo de pesquisadores canadenses e descrito em artigo publicado nesta quarta-feira, 08, na revista científica Plos One. O novo dinossauro, batizado de Wendiceratops pinhornensis, viveu há 79 milhões de anos e é um dos mais antigos membros conhecidos da família de grandes dinossauros com chifres que inclui o conhecido Triceratops. O animal tinha cerca de seis metros de comprimento e pesava uma tonelada.

A descrição do novo dinossauro foi feita a partir de mais de 200 ossos fósseis encontrados na Formação Oldman, no sul de Alberta, no Canadá. O animal era herbívoro e possuía uma espécie de bico semelhante aos dos papagaios. Segundo os cientistas, ele provavelmente utilizava esse bico para cortar ervas próximas ao chão, que depois eram fatiadas com suas dúzias de dentes em forma de folhas.

A cabeça do Wendiceratops era cheia de adornos, incluindo uma série de chifres retorcidos nas margens. Uma estrutura em forma de "babado" se projetava para trás da cabeça, formando uma espécie de escudo. "Esses amplos babados eram envolvidos por numerosos chifres ondulados, o nariz tinha um grande chifre vertical e é provável que ele tivesse chifres sobre os olhos também. Essas características o tornam um dos mais impactantes dinossauros de chifres já encontrados", disse o autor principal do estudo, David Evans, curador de paleontologia do Museu Real de Ontario, em Toronto (Canadá).

O nome do novo gênero, Wendiceratops, significa "rosto com chifres de Wendy", em homenagem à pesquisadora Wendy Sloboda, uma conhecida caçadora de fósseis de Alberta, no Canadá. Ela foi a responsável pela descoberta, em 2010, do sítio onde já foram encontrados diversos dinossauros, além do Wendiceratops.

De acordo com Evans, a pesquisadora descobriu centenas de fósseis importantes nos últimos 30 anos, incluindo diversas novas espécies. "Wendy Sloboda tem um sexto sentido para a descoberta de fósseis importantes. Ela é facilmente uma das melhores caçadoras de dinossauros do mundo", disse Evans.

Faro apurado


Wendy contou à reportagem que os fósseis do Wendiceratops foram encontrados em setembro do ano passado, quando a equipe de Evans fazia prospecções no sítio descoberto por ela. "Essa área é realmente repleta de fósseis. Ao encontrar alguns desses, o professor Evans imediatamente percebeu que eles eram estranhos, realmente incomuns. As escavações foram levadas adiante e mais tarde ele me enviou um e-mail pedindo permissão para batizar o novo gênero com o meu nome. Eu não esperava isso, é uma honra imensa", disse ela. A pesquisadora afirma que não sabe explicar seu conhecido "faro" para fósseis. "Eu simplesmente procuro e de fato encontro montes de coisas", declarou.

De acordo com a caçadora de fósseis, a característica mais marcante do novo dinossauro são os chifres que formam estruturas em forma de "babados". "Esse dinossauro é realmente antigo e seus chifres são completamente diferentes de tudo que já vimos antes. A melhor maneira de descrevê-los é dizer que são chifres ornamentais", afirmou Wendy.

"O Wendiceratops nos ajuda a entender os primeiros estágios da evolução da ornamentação do crânio desse grupo de dinossauros com chifres", disse Evans. Segundo ele, o osso nasal do Wendiceratops foi reconstituído a partir de espécimes fragmentários e seu formato exato é incerto. Mas para os cientistas está claro que ele era a base de um proeminente núcleo de chifre vertical sobre o nariz.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

UM ANCESTRAL DO ELEFANTE


Fóssil de ancestral do elefante é encontrado na Romênia

29/06/2015

Uma equipe de paleontólogos descobriu em uma vila do leste da Romênia vários fósseis de um ancestral do elefante, o dinotério - uma descoberta "excepcional", segundo os cientistas.

"É uma descoberta excepcional, alcançada depois de muitos anos de pesquisa na região", afirmou à AFP Laurentiu Ursachi, do museu Vasile Parvan Museu de Barlad.

Museólogos e professores da faculdade de Geologia de Iasi desenterraram uma mandíbula de 66 centímetros, nove dentes muito bem preservados (incluindo um pré-molar de 12,1 centímetros) e vários fragmentos das presas do animal, uma cintura pélvica e membros anteriores e posteriores.

"A idade dos fósseis é de sete milhões de anos, está comprovada pela presença de fluxo piroclástico vulcânico", explicou Bogdan Ratoi, pesquisador da faculdade de Iasi.

De acordo com os pesquisadores, esse dinotério ('Deinotherium bozasi'), nome que significa terrível besta, em grego, media cerca de cinco metros.

A descoberta ocorreu na vila de Gherghesti, em uma região onde nos últimos anos também foram descobertos fósseis dos ancestrais dos rinocerontes e bisões.

Escavações paleontológicas se aceleraram em meados de junho após a descoberta do primeiro fragmento do dinotério perto de uma estrada em uma colina Gherghesti.

Esta é a segunda descoberta do tipo na Romênia, onde em 1891 foi encontrado um esqueleto de dinotério que atualmente está exposto no Museu de História Natural, em Bucareste.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

AS PRIMEIRAS JÓIAS

Neandertais criaram primeiras joias da humanidade há 130 mil anos


05/04/2015

Luka Mjeda/Zagreb

Os neandertais utilizaram garras de águia para criar e se enfeitar com as primeiras joias da humanidade há 130 mil anos, dezenas de milhares de anos antes da aparição dos humanos modernos na Europa.

Este é a surpreendente descoberta da antropóloga croata Davorka Radovcic, cujo trabalho foi divulgado na prestigiada publicação científica "PLoS One", e que revela que não foi o Homo sapiens, há 100 mil anos, a primeira espécie humana a criar objetos de valor para se adornar.

"Até agora se considerava que as joias mais antigas do homem, achadas em Israel e no sul da África, datam de 100 mil anos, e agora esse limite foi revisado cerca de 20 mil a 30 mil anos", explicou à Agência Efe a jovem cientista.

"O que é mais importante é que o fenômeno se relaciona agora com os neandertais", acrescentou Radovcic, conservadora do Museu de História Natural da Croácia.

Alguns especialistas sustentavam que os neandertais não tinham habilidades simbólicas ou que poderiam ter copiado este comportamento do Homo sapiens, por isso é considerado um achado e uma amostra de cognição avançada que elaborassem objetos para se enfeitar.

Algumas marcas em garras do pigargo europeu ou águia rabalva provam que estas foram enlaçadas pelo Homo neanderthalensis e utilizadas em um colar, pulseira e um adorno corporal similar.

Trata-se de garras fósseis da grande águia achadas há 115 anos conservadas no citado museu e provêm de um dos maiores sítios arqueológicos neandertais no mundo, a caverna Husnjakovo, perto de Krapina, no norte da Croácia.

O neandertal costuma se relacionar com uma imagem animal, bestial, de pouca inteligência, mas esta recente descoberta revela que esses homens paleolíticos foram muito mais "humanos" do que acreditávamos.

"O fato de ter usado este enfeite mostra um nível de cognição abstrata, indica a possibilidade de cognição simbólica, sinalização, linguagem", explicou Radovcic.

Essa grande ave de rapina, chamada de "tapete voador" por causa da envergadura de suas asas de mais de dois metros, deve ter impressionado o homem do paleolítico e seguramente teve para ele um significado especial.

A cientista teve um primeiro indício de sua descoberta há dois anos, logo após assumir seu trabalho no museu, ao estudar a coleção de fósseis de Krapina.

"O que chamou minha atenção foi que nos fósseis de garra havia incisões antropogênicas, obra de mãos humanas", lembrou a cientista.

Em seguida, Davorka Radovcic reuniu uma equipe de especialistas e juntos estudaram todos os restos fósseis de aves achados na caverna Husnjakovo.

"Em formações que cobrem a última falange dos dedos do pigargo achamos incisões feitas pelo homem, assim como marcas de lixamento na parte de trás, o que aponta que foram usadas em algum colar ou algo similar", descreveu Radovcic.

Nessas garras de águia, oito no total, também há marcas de terem sido expostas a um ambiente ácido, como o suor do corpo humano, o que confirma adicionalmente a teoria de Radovcic.

A morfologia das garras facilita que sejam atadas em série com uma corda, sem necessidade de buracos.

"Não sabemos se as garras foram usadas exatamente para colares, por isso dizemos que foi algum tipo de joia, um adorno que usavam sobre o corpo, mas não sabemos como exatamente. Temos indícios que essas garras de ave foram atadas e eram usadas penduradas", detalhou.

As oito garras pertencem a três águias diferentes, por isso que os cientistas concluem que se tratava de uma prática estendida e não de um caso individual e casual.

Segundo pesquisas recentes, o Homo neanderthalensis teve certo grau de hibridação com o ser humano moderno, de modo que seus genes se encontram hoje em todos os povos da Eurásia.

Foram encontradas evidências de que os neandertais enterravam seus mortos, que tinham desenvolvido uma tecnologia avançada de manufatura de utensílios de pedra e inclusive existem provas indiretas de que utilizavam certo tipo de linguagem em sua comunicação.

"Agora temos um conjunto de provas a mais sobre sua complexidade em todo sentido", ressaltou Radovcic.

Os neandertais habitaram partes da Europa, Ásia Central e Oriente Médio durante 250 mil anos, mas continua sendo um mistério por que desapareceram há cerca de 40 mil anos.

Há cerca de 45 mil anos começou a colonização da Europa por parte do Homo sapiens, e uma das teorias é que os neandertais se extinguiram por causa da concorrência com os humanos modernos.

Em Krapina foi encontrado em 1899 cerca de 70 restos neandertais, o que constitui uma das jazidas mais ricas do mundo sobre essa espécie.

quinta-feira, 5 de março de 2015

CIENTISTAS CONFIRMAM DESCOBERTA DO FÓSSIL MAIS ANTIGO DO GÊNERO "HOMO"


04/03/2015

Brian Villmoare/AFP

Pesquisador exibe um pedaço de mandíbula descoberto na Etiópia, que os cientistas batizaram de LD-350-1: ancestral humano teria vivido há 2,8 milhões

Uma equipe de cientistas confirmou nesta quarta-feira (4) a descoberta de um fóssil de um hominídeo de 2,8 milhões de anos, que se torna assim o mais antigo encontrado até agora do gênero "Homo", ao qual pertence o homem atual.

Trata-se de parte da mandíbula de um hominídeo achada em 2013 na Etiópia, cuja análise em dois estudos publicados na revista "Science" aponta que a divisão do gênero "Homo" ocorreu quase meio milhão de anos antes do que se tinha concluído anteriormente.

Os pesquisadores indicam que o fóssil, que é conhecido como LD 350-1, combina os traços primitivos do "Australopithecus" com as características mais modernas do "Homo", que situariam este gênero antes no tempo.

Os pesquisadores apontam, entretanto, que ainda é cedo para chegar a tal conclusão, e que são necessários mais estudos para determinar a qual espécie pertence.

Até agora, os fósseis mais antigos descobertos do gênero "Homo", que agrupa as espécies que evoluíram no homem moderno ("Homo sapiens"), datavam de aproximadamente 2,3 ou 2,5 milhões de anos.

"Apesar de muitas buscas, os fósseis da linhagem 'Homo' de mais de 2 milhões de anos são muito raros", afirmou Brian Villmoare, da Universidade de Nevada, um dos principais cientistas envolvidos na descoberta do fóssil.

Villmoare e sua equipe estudaram a fundo a mandíbula, que conta com cinco de seus dentes intactos, e descobriram que, embora a idade e localização do fóssil o coloquem perto do "Australopithecus afarensis", sua arcada dentária coincide mais com as primeiras espécies do "Homo".

O acadêmico explicou que o período que abrange entre 2 e 3 milhões de anos é um dos que tem mais lacunas a respeito do estudo das origens do homem. "Ter uma ideia da fase mais antiga da evolução de nossa linhagem é particularmente emocionante", afirmou.

A pesquisadora do departamento de geociências da Universidade Estadual da Pensilvânia Erin DiMaggio lidera outro estudo no qual é descrita geologicamente a jazida onde foi descoberta a mandíbula e confirma a idade do fóssil.

"Temos certeza da idade do LD 350-1", afirmou Erin, acrescentando que foram utilizados diferentes sistemas de datação, como análise radiométricas das camadas de cinzas vulcânicas para determinar a idade dos sedimentos da jazida.

As rochas e fósseis vegetais que estão sendo analisados "permitem lançar luz não somente sobre uma linhagem humana, mas sobre o estabelecimento de um entorno geológico no qual viveram os primeiros 'Homo", explicou a pesquisadora.