domingo, 29 de maio de 2011

O AVÔ DOS CORCODILOS




Grupo acha "avô" de crocodilos terrestres no interior de MG


23/05/2011

Medindo só 1,80 metro da ponta do focinho à extremidade da cauda, o Campinasuchus dinizi não se encaixa muito bem na definição de monstro pré-histórico. Mesmo assim, parece ter sido um excelente fundador de dinastia.

Isso porque, segundo seus descobridores, o bicho é o membro mais primitivo do grupo de crocodilos que dominou o interior do Brasil na Era dos Dinossauros.

Nome de crocodilo primitivo mineiro homenageia filho

Seus descendentes dobrariam de tamanho e virariam, ao que tudo indica, os predadores dominantes do inclemente semiárido que cobria São Paulo, Minas Gerais e outros Estados do país há dezenas de milhões de anos.

O bicho acaba de ser apresentado à comunidade científica em artigo na revista especializada "Zootaxa". Mas se trata apenas do começo do trabalho. O sítio que permitiu a descoberta da espécie, em Campina Verde(MG), ainda está repleto de material.

"Parece que ali houve uma série de mortandades em massa ao longo do tempo", diz Luiz Carlos Borges Ribeiro, pesquisador da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e um dos responsáveis por descrever o bicho.

SECAS AJUDARAM

Os cadáveres da espécie podem ter se acumulado durante secas prolongadas, quando os crocodilos teriam procurado os poucos corpos d'água que sobravam para se enterrar na lama. No caso dos exemplares encontrados, não deu muito certo.

"A densidade de material em Campina Verde é impressionante. Por enquanto todos são Campinasuchus, mas pode ser que haja outras espécies por lá", avalia Borges. Apesar de terem procurado a lama na hora do aperto, os membros da espécie eram totalmente terrestres.

As patas, bem mais eretas que as de um crocodilo atual, davam grande mobilidade aos animais em terra firme, fazendo com que, em ação, eles lembrassem muito mais leões do que jacarés. Era nisso, aliás, que a equipe do Centro de Pesquisas Paleontológicas Price trabalhava quando recebeu a Folha.

Pouco a pouco, modelos detalhados do esqueleto do animal, feitos em espuma floral (normalmente usada em vasos), ajudavam a reconstruir a postura do bicho.

Os dados estão sendo passados para um programa de animação computacional 3D. A intenção dos cientistas é recriar em filme a descoberta, do achado dos ossos fossilizados a cenas em que o Campinasuchus "volta à vida".

terça-feira, 24 de maio de 2011

A ARANHA DE 49 MILHÕES DE ANOS




Cientistas criam imagem 3D de aranha de 49 milhões de anos

24/05/2011

Cientistas na Grã-Bretanha e na Alemanha criaram uma imagem tridimensional de um fóssil de uma aranha de 49 milhões de anos.

Os especialistas da Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, e de outros três centros de pesquisa alemães conseguiram recriar detalhes nítidos do fóssil do aracnídeo, que foi encontrado em um âmbar.

A tecnologia permitiu que eles identificassem a espécie da aranha, o que nem sempre é possível com as técnicas tradicionais.

"Normalmente quando o fóssil de uma aranha ou de outro inseto está preservado em âmbar, é muito difícil ver os seus detalhes com claridade suficiente para se identificá-lo", disse à BBC o paleontólogo David Penney, da Universidade de Manchester.

"Usando microscópios tradicionais é possível identificar somente um de cada dez fósseis. Mas a nova tecnologia nos permite identificar praticamente qualquer espécime."

O fóssil da aranha está preso em um âmbar encontrado em uma região do Báltico, no norte da Europa, uma zona que abrigou diversas florestas no passado e hoje é uma das principais fontes de resina vegetal fossilizada.

O âmbar estava no Museu de História Natural de Berlim.

"Desenvolvemos uma técnica nova para aumentar o contraste entre o fóssil e a resina que o envolve, e isso melhora significativamente a resolução da imagem", disse Penney.

O fóssil é de uma espécie de aranha caçadora do gênero Sparassidae. Espécies deste gênero ainda existem em regiões tropicais, como no sul da Europa.

"Se a aranha fossilizada estivesse viva e a colocássemos junto a algumas espécies de aranhas caçadoras atuais, seria impossível distingui-las a olho nu", disse o especialista.

Mudanças climáticas

Os cientistas dizem que as imagens em 3D de fósseis em âmbar podem ser uma ferramenta para ajudá-los a entender a história da Terra.

"Se formos estudar somente o fóssil de uma aranha, talvez não avancemos muito. Mas se examinarmos muitas e muitas aranhas, poderemos começar a montar o quebra-cabeça de como foi nosso planeta no passado", disse o cientista à BBC.

"Há centenas – talvez cerca de 600 – diferentes espécies de aranha que estão presas em âmbar. Comparando estas espécies com as atuais, sabemos que o norte da Europa foi uma região tropical ou subtropical, ou seja, que passou por grandes mudanças em escala global."

"Atualmente devido às mudanças climáticas, estamos em uma nova fase de alterações globais. Os estudos de fósseis poderiam nos ajudar a prever o que acontecerá no futuro."

Além da Universidade de Manchester, participaram o Museu de Zoologia de Hamburgo, o Instituto de Investigações Senckenberg, de Frankfurt, e a Universidade de Humboldt, de Berlim.

O estudo foi publicado na revista científica Naturwissenschaften.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

DINO ARGENTINO




Encontrado na Argentina fóssil de precursor dos dinossauros gigantes

23/03/2011


Réplica em tamanho natural de esqueleto de dinossauro encontrado na Argentina.


O novo fóssil de dinossauro encontrado na Patagônia argentina (sul) é uma espécie desconhecida que explica a origem dos gigantes herbívoros que habitaram a Terra há 170 milhões de anos, disse nesta quarta-feira à AFP o pesquisador que participou da descoberta.

"A importância da descoberta é que se trata de uma nova espécie. Ela nos oferece dados sobre a origem dos dinossauros saurópodes, de pescoço e cauda longos, herbívoros, e que foram os maiores seres da história da Terra", disse Diego Pol, cientista do Museu de Paleontologia Egidio Feruglio.

O animal, que mede cerca de 3 metros de comprimento, foi batizado Leonerasaurus taquetrensis e é uma "espécie muito primitiva, de 180 milhões de anos que ajuda a entender a árvore genealógica dos gigantes que surgiram depois", segundo Pol.

A Argentina se tornou há alguns anos um importante centro pelas descobertas de fósseis de dinossauros, entre eles o Argentinosaurus huinculensis, de 98 milhões de anos, o maior herbívoro já encontrado no mundo.

"Boa parte do esqueleto do Leonerasaurus foi encontrada. Falta parte do crânio e a cauda. Mas temos a coluna vertebral, a cintura, as patas dianteiras e as traseiras", disse Pol, cientista do organismo estatal de pesquisas científicas Conicet, em Trelew, 1.400 Km ao sul de Buenos Aires.

O Leonerasaurus foi encontrado em um sítio da era Jurássica localizado nas serras patagônicas de Taquetrén, que serviram de inspiração para o "nome" do fóssil.

O Leonerasaurus é considerado um 'elo perdido' que liga os antigos e pequenos prossaurópodes com seus irmãos maiores, os saurópodes.

A descoberta foi publicada na revista científica Plos One.

O HOMEM AMERICANO




Artefatos de 15.500 anos achados no Texas colocam em dúvida teoria sobre colonização da América


24/03/2011


A descoberta no Texas de um sítio arqueológico contendo milhares de vestígios de 15.500 anos atrás faz recuar em pelo menos 2 mil anos as estimativas de chegada dos primeiros ocupantes à América, além de colocar em dúvida a teoria atual sobre a colonização do continente.

Uma corrente em vigor acredita que as primeiras tribos americanas fariam parte da cultura denominada Clóvis, com traços encontrados em vários pontos, a partir de 1932.

Segundo esta hipótese controversa, os portadores desta cultura, caracterizada por uma técnica muito particular de entalhe de pontas de sílex de dois gumes, teriam vindo da Ásia há cerca de 13.500 anos através do Estreito de Bering, durante a Era do Gelo. Eles teriam, em seguida, se espalhado por todo o continente, até chegar à América do Sul.

O novo sítio arqueológico texano, chamado "Debra L. Friedkin" e situado a cerca de 60 km ao noroeste de Austin, documenta com um número de indícios sem precedentes uma ocupação humana do continente americano anterior à cultura Clóvis.

O achado coloca em dúvida a teoria atual dos primeiros povos americanos, destacou Michael Waters, diretor do Centro de Estudos dos Primeiros Americanos da Universidade do Texas e principal autor do trabalho, publicado na revista americana Science, que estará nas bancas a partir desta sexta-feira (25).

"Essa descoberta nos força a repensar as origens da colonização das Américas", insistiu o pesquisador. "Não há dúvidas de que essas ferramentas e armas foram fabricadas por humanos e que têm cerca de 15.500 anos de idade, o que faz delas os vestígios mais antigos encontrados até hoje na América do Norte", acrescentou.

"Isso é importante para fazer avançar o debate sobre a data de chegada dos primeiros ocupantes das Américas, mas também para nos ajudar a compreender as origens da cultura Clóvis", segundo ele.

Michael Waters destacou durante uma teleconferência que a teoria do povoamento do continente americano pela cultura Clóvis possui várias grandes falhas.

Por exemplo, não existe qualquer traço da "tecnologia" de entalhe de sílex dos Clóvis no nordeste da Ásia, de onde esses colonizadores teriam vindo.

Ainda, as pontas de flechas de sílex descobertas no Alasca e que precediam em mil anos à chegada da tribo Clóvis foram fabricadas de forma diferente.

Enfim, acrescenta esse arqueólogo, seis sítios datando do mesmo período da "cultura Clóvis" descobertos na América do Sul não contêm qualquer traço que possa ser assimilado a essa "cultura".

"Esses fatos levam à conclusão de que os Clóvis não poderiam ser os primeiros americanos e que outros homens já se encontravam na América antes", completou o cientista.

Entre os indícios anteriores, o cientista menciona, principalmente, dois sítios no Wisconsin (norte) datando de 14.200 a 14.800 anos, as cavernas de Paisley no Oregon (14.100 anos) e Monte Verde, no sul da América do Sul (14.500 anos).

"Resumindo, chegou a hora de abandonar de uma vez por todas a teoria da colonização dos Clóvis e elaborar um novo modelo que explique o povoamento das Américas. Nesse sentido, o sítio Debra L. Friedkin deu um grande passo em direção a essa nova compreensão dos primeiros habitantes do novo mundo", insistiu Michael Water.

A datação é feita através de uma técnica por luminescência, calculando-se quando os sedimentos que cobrem os vestígios foram expostos à luz pela última vez.