sábado, 29 de maio de 2010

O TUNDRO DOS HERCULÓIDES


"Quem foi criança nos anos sessenta sabe a razão do título."

Concepção artística mostra como seria o Coahuilaceratops magnacuerna
Foto: Divulgação


Não sei se vocês assistiam os Herculóides, talvez não...
Mas para os que tem a minha idade deve ser fácil de lembrar. O desenho animado tinha um personagem chamado Tundro e é bem parecido com o animal reportado .


Com chifre de 1,2 m, novo dinossauro não temia nem tiranossauro
28 de maio de 2010
Uma nova espécie descoberta por paleontólogos de universidades dos Estados Unidos, Méxido e Canadá tinha os maiores chifres dos dinossauros. Segundo os cientistas, os chifres do Coahuilaceratops magnacuerna, que viveu há cerca de 72 milhões de anos, chegavam a 1,2 m. Os pesquisadores afirmam ainda que o animal era um gigante de 6,7 m de comprimento e entre 1,8 m e 2,1 m de altura nos ombros e na bacia. "Coahuilaceratops adultos não tinham medo dos grandes predadores tiranossauros", diz Andrew Farke, que participou da pesquisa.

Apesar do tamanho, os pesquisadores não têm certeza de qual era a função dos chifres. Contudo, eles acreditam que o principal propósito era reprodutivo, para atrair fêmeas e também para brigas com rivais da mesma espécie.

O fóssil do animal foi encontra no Estado mexicano de Coahuila (referido no nome da espécie). "Nós sabemos muito pouco sobre os dinossauros do México e esse achado aumente imensuravelmente nosso conhecimento sobre os dinossauros que viveram no país durante o Cretácio tardio", diz Mark Loewen, da Universidade de Utah, que liderou a pesquisa.

A universidade explica que parte da América do Norte, durante o período do Cretácio tardio (de 97 milhões a 65 milhões atrás), teve um aumento do nível dos oceanos, o que resultou em um mar quente e raso que se estendia dos Golfo do México até o oceano Ártico, dividindo em duas partes a região. Este dinossauro vivia em uma península conhecida como Laramidia e que era exprimida entre a montanhas no oeste e o mar no leste. A América Central ainda não havia sido formada.

Baseados no desenvolvimento do crânio e do esqueleto encontrados, os cientistas acreditam que o espécime era um adulto e estava velho. Outro fóssil da mesma espécie foi encontrado no local, mas de um animal jovem. Segundo os pesquisadores, o comprimento e a altura indicam que ele era um dos maiores herbívoros do ecossistema da época.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O SUPERPREDADOR BRASILEIRO




Superpredador brasileiro espanta e vira destaque internacional
14 de maio de 2010

O paleontólogo Sérgio Cabreira trabalha no fóssil do Prestosuchus chiniquensis, uma espécie de tecodonte. Veículos internacionais como os britânicos Telegraph, Daily Mirror, além de Fox News, destacaram a descoberta
Foto: Ulbra/Divulgação


Andressa Tufolo
Matheus Pessel

A descoberta de um fóssil quase completo do superpredador tecodonte Prestosuchus chiniquensis, no município de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, atraiu a atenção da imprensa internacional. Após apresentação feita pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), na última segunda-feira, dia 10, veículos como os britânicos Telegraph, Daily Mirror e Fox News repercutiram a notícia da espécie que tinha aproximadamente 7 m de comprimento e pesava 900 kg. O animal viveu no período Triássico (há aproximadamente 238 milhões de anos) e é um ancestral dos dinossauros.

Segundo o paleontólogo Sérgio Cabreira, responsável pelo achado, a imprensa internacional não está acostumada com trabalhos na América do Sul. Países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, defendem a sua própria cultura científica. "Aí, nesse conjunto, nós, brasileiros aqui do Sul, descobrimos algo completo com estruturas que não haviam sido encontradas antes. Isso mexe com o contexto", afirma. De acordo em ele, o Brasil está em ascensão no cenário internacional e já é visto com respeito. "Não precisamos mais de suporte externo, temos estrutura."

O pesquisador ressalta também que essa região do município de Dona Francisca é um dos sítios de fósseis mais importantes do mundo. "A área explorada ainda é pequena. Quando o processo de pesquisa for formatado realmente, nós vamos encontrar dezenas de fósseis".

Apesar de o fóssil ter sido achado há cerca de 30 dias após chuvas que expuseram parte do material, a descoberta reflete um trabalho de seis anos de projeto, conta Sérgio Cabreira. "Temos feito vários achados de material na área. Há três anos, encontramos neste mesmo local, duas vértebras muito grandes desse Arcossauro. Nessa oportunidade, eu já tinha uma ideia do belo material que estava para encontrar. A erosão expôs uma margem do material e o limpamos. Entendemos que se travava de algo importante", afirmou.

O cientista acredita que esse animal tenha sido soterrado pela enchente poucos dias após a sua morte. "Encontramos um fóssil com crânio, coluna cervical, cauda, em excelente estado de preservação. O fóssil fala por ele mesmo." Depois da divulgação das imagens, paleontólogos de diversas regiões visitaram o local.

O grupo ao qual o animal pertence representa os primeiros arcossauros que atingiram um grande tamanho. "Não conseguiremos entender esse frisson da imprensa internacional se não olharmos para o cenário científico", explicou referindo-se a todas as implicações históricas, científicas e sociais do trabalho.

Existem leis que regem o patrimônio científico brasileiro. A divulgação das descobertas é essencial para criar uma guarda em torno desse patrimônio, segundo o paleontólogo. "Devemos expor esse material para disseminar a conquista de todos os brasileiros. Além disso, o fato permite com que a sociedade e os políticos tomem providências para o aproveitamento e cercamento de áreas."

O fóssil do tecodonte Prestosuchus chiniquensis continuará sendo estudado em território nacional. Ele agora entra em um circuito de tratamento, com clima e acondicionamento adequados. Antes de que os cientistas possam manusear os fósseis encontrados, são feitas réplicas dos materiais. Geralmente essas cópias é que são apreciadas em museus, enquanto a original é utilizada em pesquisas.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

SOMOS EM PARTE NEANDERTAIS




Segundo o cientista Svante Pääbo, do Instituto Max Planck, na Alemanha, genoma do Neandertal indica que ele cruzou com humanos


06 de maio de 2010
Foto: Instituto Max Planck/Divulgação

Cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, conseguiram, após quatro anos, sequenciar 60% do genoma do homem de Neandertal, que desapareceu do planeta há 30 mil anos. De acordo com o instituto, análises iniciais dos quatro bilhões de pares do DNA dos Neandertais indicam que eles cruzaram com humanos e deixaram sua marca no genoma do homem moderno.

Segundo os cientistas, o sequenciamento é baseado na análise de cerca de 1 bilhão de fragmentos de DNA de diversos ossos de Neandertais encontrados na Croácia, Rússia e Espanha, além do Neandertal original, encontrado na Alemanha. A maior parte da análise se deu sobre 400 mg de pó de osso de três fêmeas que viveram há 38 mil anos onde hoje fica a cidade croata de Vindija. Os pesquisadores ainda desenvolveram meios de distingui-los dos DNAs de micróbios que viviam nos ossos ao longo de 40 mil anos.

A análise inicial indica que, ao contrário do que muitos pesquisadores acreditavam, humanos e Neandertais cruzaram e, entre 1% e 4% do DNA dos humanos modernos é originário dos Neandertais. "Aqueles que vivem fora da África carregam um pouco do DNA Neandertal em si", diz Svante Pääbo, que liderou a pesquisa.

Os cientistas chegaram a essa conclusão após comparar o genoma com o de pessoas que vivem na Europa, Ásia e África. Eles descobriram que aqueles que vivem fora da África estão mais próximos dos Neandertais do que quem vive no continente, o que sugere uma contribuição do DNA do Neandertal dos não-africanos, sejam eles originários da Europa, leste asiático ou Melanésia. O surpreendente é que não há vestígios de que eles tenham chegado ao leste da Ásia, eles viveram apenas no continente europeu e oeste asiático.

Os cientistas acreditam, portanto, que esse cruzamento tenha ocorrido antes que o homo sapiens tenha se dividido em diversos grupos na Europa e Ásia, provavelmente em um período entre 100 mil e 50 mil anos antes da população humana se propagar para o leste da Ásia. Achados arqueológicos indicam que os Neandertais e os humanos viveram no mesmo período no Oriente Médio.

Diferenças
Outro ponto no qual os pesquisadores se focaram foi nas diferenças entre o homem moderno e o parente extinto. Ao comparar os genomas, eles identificaram diversos genes que podem ter sido importantes na evolução humana, como aqueles relacionados às funções cognitivas, metabolismo e o desenvolvimento do crânio, clavícula e das costelas. Contudo, os cientistas afirmam que novas análises devem ser feitas para se tirar conclusões sobre a influência desses genes.